Recuperação de créditos atrasados e retomada dos financiamentos do BNDES geram debate sobre riscos e garantias
Brasil busca recuperar dívidas bilionárias de Cuba e Venezuela enquanto retoma financiamento do BNDES para projetos internacionais.
Contexto das dívidas bilionárias de Cuba e Venezuela com o Brasil
As dívidas bilionárias de Cuba e Venezuela com o Brasil representam um desafio persistente para a economia nacional. Esse cenário ganhou destaque ao mesmo tempo em que o governo federal anunciou em fevereiro de 2026 a retomada do financiamento do BNDES para obras no exterior. O presidente Lula sancionou uma lei que autoriza novos empréstimos para a exportação de serviços de engenharia, reacendendo o debate sobre os riscos envolvidos nesse modelo de negócios internacionais.
Detalhes das operações de financiamento do BNDES e seus riscos
O BNDES atua financiando construtoras brasileiras para execução de obras em outros países, com o objetivo de fomentar a presença nacional no mercado internacional de engenharia. Entretanto, quando países contratantes, como Cuba e Venezuela, não honram os pagamentos, o banco aciona um seguro coberto pelo Fundo de Garantia à Exportação, financiado pelo governo federal. Na prática, o prejuízo é absorvido pelos contribuintes brasileiros, evidenciando a vulnerabilidade do sistema diante de inadimplências.
Dívidas específicas de Cuba e Venezuela e obras financiadas
No caso da Venezuela, a dívida coberta pelo fundo ultrapassa US$ 1,2 bilhão, envolvendo obras significativas como os sistemas de metrô de Caracas e Los Teques e a Siderúrgica Nacional. Cuba possui uma dívida de US$ 676 milhões, destacando-se o Porto de Mariel como principal projeto financiado. A garantia sobre receitas da indústria cubana de charutos para este último foi considerada frágil pelo Tribunal de Contas da União, indicando falhas na avaliação dos riscos.
Medidas legais e desafios na recuperação dos créditos inadimplentes
A nova legislação sancionada incorpora medidas para aumentar a transparência do BNDES, exigindo a divulgação pública das operações de crédito e proibindo novas concessões a países inadimplentes. Apesar disso, o Ministério da Fazenda comunicou que não há previsão concreta para a regularização dos pagamentos em atraso, mantendo tratativas bilaterais e esforços em fóruns internacionais. A incidência de juros sobre os valores não pagos aumenta o montante devido, mas a efetiva recuperação permanece incerta.
Perspectivas e críticas sobre a retomada do financiamento externo do BNDES
Especialistas, como o economista Tony Volpon, questionam a eficácia da retomada do financiamento do BNDES para países com histórico de inadimplência, ponderando se essa estratégia é adequada diante dos riscos financeiros envolvidos. O ápice da atuação das empreiteiras brasileiras no exterior ocorreu antes da interrupção dos financiamentos decorrente da Operação Lava Jato, quando chegaram a representar quase 2,5% do mercado global de serviços de engenharia. O desafio atual é equilibrar o estímulo à exportação de serviços com a mitigação de novos calotes que onerem os cofres públicos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
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