Burnham afirma que Brexit causou mais mal do que bem ao Reino Unido

Primeiro-ministro britânico sinalizou reaproximação com UE dois meses após assumir cargo. PIB britânico foi afetado entre 6% e 8% desde saída do bloco em 2016.

Burnham afirma que Brexit causou mais mal do que bem ao Reino Unido
Foto: Simon Dawson/Reuters —   • Foto: Simon Dawson/Reuters

Primeiro-ministro britânico Andy Burnham afirmou que a saída do Reino Unido da União Europeia fez mais mal do que bem, sinalizando possível reaproximação.

O primeiro-ministro britânico Andy Burnham afirmou que a saída do Reino Unido da União Europeia fez mais mal do que bem, sinalizando abertura para uma possível reaproximação com o bloco. O anúncio ocorreu na semana passada, durante a conferência anual do Partido Trabalhista, apenas dois meses após Burnham assumir o cargo.

Burnham diluiu o tema em meio a 60 minutos de seu discurso, demonstrando cautela ao transmitir a mensagem. Dez anos após o Reino Unido deixar a União Europeia em 2016, estudos apontam danos econômicos substanciais: o PIB britânico foi afetado entre 6% e 8%, enquanto a produtividade sofreu impacto negativo entre 3% e 4%.

Os investimentos caíram entre 12% e 18% e os empregos ficaram entre 3% e 4% mais escassos, conforme pesquisas citadas. Segundo levantamentos, seis em cada dez cidadãos do Reino Unido acreditam hoje que a saída da União Europeia foi um erro. Adicionalmente, 23% daqueles que votaram pelo Brexit em 2016 mostram-se arrependidos pela opção feita à época.

“A decisão de deixar Bruxelas para trás fez mais mal do que bem.”

Burnham é o primeiro primeiro-ministro desde 2016 a afirmar abertamente que o Brexit é um fracasso que exige correção de rota. Nos próximos dias, o líder britânico deverá medir temperatura e pressão da opinião pública e do meio político antes de propor caminhos mais específicos de reaproximação junto ao continente.

A agenda do primeiro-ministro para os próximos dez anos sugere uma ampla reforma em áreas sensíveis como o sistema de assistência social. Isso requer altos investimentos só possíveis a partir de um crescimento econômico relevante. A solução dessa equação pode vir do reestabelecimento de relações mais profundas com a União Europeia, seu maior parceiro comercial.

No caso de uma nova adesão ao bloco europeu, um novo plebiscito teria que ser convocado. Líderes europeus reagiram com uma mistura de receptividade positiva e cautela à sinalização sobre uma possível reconexão do Reino Unido com a União Europeia. A cautela se deve às possíveis escolhas que estariam sobre a mesa para percorrer esse caminho.

Há consenso geral em Bruxelas e nas principais capitais europeias de que uma volta ao bloco seria bem-vinda desde que o Reino Unido não queira selecionar benefícios específicos do bloco em lugar de uma adesão completa.

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