Câmara elege apenas 20 partidos em 2026, menor número em mais de duas décadas

Cláusula de barreira força fusões e federações. PL chega a 121 deputados, maior bancada desde 1990, enquanto PSOL fica de fora por margem estreita

Câmara elege apenas 20 partidos em 2026, menor número em mais de duas décadas
Direita avança no Congresso e garante vantagem em votações a partir de 2027 Foto: Reuters

Vinte partidos elegeram deputados federais nas eleições de 2026, o menor número desde 2002. Cláusula de barreira pressionou siglas menores a se fusionarem em federações.

Vinte partidos elegeram deputados federais nas eleições de 2026, o menor número registrado desde 2002.

A Câmara dos Deputados registra redução significativa da fragmentação partidária. Em 2018, a Casa abrigava 30 partidos; agora o movimento se inverte. Segundo Julliana Lopes, analista de Política da CNN, a cláusula de barreira teve papel central nesse processo ao aumentar a pressão sobre os partidos menores para que preservem recursos e estrutura.

“A tendência aponta para uma Câmara com menos partidos, porém com coligações e federações cada vez maiores e mais influentes”, afirmou a analista.

Entre as siglas que conseguiram atingir a cláusula de barreira estão MDB, PSB, Podemos, Republicanos, além da federação que tem o PT em sua composição. O PSDB formou composição com o Cidadania, enquanto o União Brasil se uniu ao PP, formando uma mega bancada descrita como muito forte no Congresso Nacional.

O PL chegou a 121 deputados — um número que pode ainda aumentar — sendo apontado como a maior bancada de um único partido desde 1990. Partidos como o PSOL não conseguiram superar a cláusula de barreira. A analista mencionou que o PSOL tentou se juntar à coligação do PT, mas a articulação não prosperou. O partido ficou de fora por margem estreita: 183 votos no Espírito Santo foram suficientes para impedir sua aprovação.

O Novo conseguiu passar, mas “quase não entrou”, segundo Julliana Lopes. Já o PDT, partido histórico, elegeu apenas seis deputados.

“Os partidos menores estão sendo, de certa forma, pressionados e estão deixando de existir”, afirmou a analista. Para ela, quem não se junta ao chamado centrão enfrenta sérias dificuldades para continuar existindo no cenário político nacional.

Diante desse novo arranjo, Julliana Lopes avaliou que o próximo ocupante da Presidência da República precisará conduzir negociações com bancadas muito amplas. “O próximo presidente vai ter que ter uma conversa muito ampla com o centrão”, concluiu a analista.

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