Campanha de Lula considera participar de debate da Globo na reta final

PT quer confrontar propostas de Lula com candidatos, especialmente Flávio Bolsonaro, e se conectar mais com eleitor.

Campanha de Lula considera participar de debate da Globo na reta final
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foto: Ricardo Stuckert / PR

PT avalia participar do debate da Rede Globo antes do primeiro turno com objetivo de comparar propostas e ampliar conexão com eleitor.

A campanha do presidente Lula (PT) estuda a possibilidade de participar do debate da Rede Globo na antevéspera do primeiro turno como parte de revisão estratégica na reta final da campanha presidencial de 2026.

A estratégia do PT se estrutura em dois eixos principais. O primeiro é comparar diretamente as propostas de Lula com as de outros candidatos, em especial as de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo petistas, o candidato do PL não teria propostas para o país e as poucas apresentadas — como o modelo Bukele para segurança pública — seriam inadequadas. Um debate seria o palco ideal para esse confronto de ideias.

O segundo eixo busca ampliar a conexão do presidente com o eleitor e aproximar Lula da vida real das ruas. Interlocutores do PT consideram que houve falha nesse aspecto no início da campanha. O exemplo citado é que quando o Brasil discutia o STF, Lula ainda falava em soberania nacional, enquanto Bolsonaro vinculava Alexandre de Moraes a Lula e, simultaneamente, exibia um carrinho de supermercado para ilustrar a dificuldade do brasileiro médio em encher as prateleiras diante do alto custo de vida.

Nesse sentido, Lula e a coordenação da campanha querem se conectar mais com o eleitor, tanto por meio de debate ao vivo para confronto de ideias quanto por propostas que apontem soluções para questões exploradas por Flávio, como o tema do custo de alimentos.

A campanha designou a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiavelli, como porta-voz para tratar do tema e ajudar a explicar que o alto custo dos alimentos se deve a fatores externos ao governo, como geopolítica e clima. Contudo, a campanha ressalta que há propostas na agenda para um eventual governo Lula 4 com objetivo de conter a alta dos preços nos supermercados.

Na frente econômica, o porta-voz continua sendo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que tem buscado sinalizar aos agentes econômicos que deverá haver ajuste fiscal em novo governo.

Segundo petistas, a crise envolvendo Alexandre de Moraes não afetou Lula como se temia, pelo fato de que o jogo teria sido reequilibrado após a exposição da conduta parcial de André Mendonça na condução do processo. Ainda assim, a crise do STF é considerada pela campanha como tema relevante no contexto eleitoral.

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