Campos Neto cancela depoimento à PF sobre caso Master

Ex-presidente do Banco Central não compareceu ao interrogatório marcado para quarta-feira sobre relação de servidores com Daniel Vorcaro

Campos Neto cancela depoimento à PF sobre caso Master
Roberto Campos Neto em evento em Nova York em 2023. Foto: Reuters/Brendan McDermid

Ex-presidente do Banco Central cancela depoimento à PF. Interrogatório ocorreria na condição de testemunha sobre relação de servidores com Daniel Vorcaro.

O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto cancelou o depoimento que prestaria à Polícia Federal na tarde de quarta-feira (7) no inquérito do caso Master sobre a relação de servidores da instituição com Daniel Vorcaro. O interrogatório ocorreria na condição de testemunha.

A PF usaria a ocasião para saber se Campos Neto tinha conhecimento de que os ex-diretores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves mantinham parceria com Vorcaro para beneficiar o antigo Banco Master. Uma nova data ainda não foi marcada pela polícia.

Foi na gestão de Campos Neto que Vorcaro conseguiu transformar o então Banco Máxima em Banco Master e expandir seu patrimônio para cerca de R$ 40 bilhões, segundo o inquérito.

Na condição de testemunha, o ex-presidente tem o aval para adiar o depoimento sem necessidade de informar o motivo. A defesa de Campos Neto não foi localizada para comentar o depoimento cancelado.

A PF aponta os dois ex-servidores do BC como consultores pessoais do então controlador do Master e que Vorcaro pagou propina a eles ao longo dos anos. Santana e Neves negaram as acusações em depoimento à polícia.

Vorcaro disse à PF, no fim de agosto, que conhece os dois servidores há pelo menos oito anos. “Era comum o Banco Central ajudar instituições financeiras”, informou.

Vorcaro também afirmou que a cúpula do BC, como o presidente, apoiava a fusão do Master com o BRB, banco público de Brasília, na negociação de R$ 12 bilhões.

Após ser citado por Vorcaro e por um servidor, o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, também foi chamado pela PF e depôs na terça-feira (7), como testemunha.

O inquérito do caso Master é o que está mais avançado na PF e tem previsão de término ainda em outubro, com os últimos interrogatórios sendo realizados.

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