Marlene Laruelle, diretora de programa na Universidade George Washington, identifica cinco componentes do iliberalismo em líderes como Trump, Bolsonaro e Orbán

Cientista política francesa afirma que o iliberalismo se tornou programa político com cinco componentes, representado por líderes como Trump, Bolsonaro e Orbán.
A cientista política francesa Marlene Laruelle, diretora do Programa de Estudos sobre o Iliberalismo na Universidade George Washington (EUA), afirma que o iliberalismo se tornou uma ideologia competitiva no século 21, representada por líderes como Donald Trump, Jair Bolsonaro e Viktor Orbán.
Segundo Laruelle, a era em que o liberalismo era considerado a grande ideologia vitoriosa após a queda do Muro de Berlim chegou ao fim. “Essa era chegou ao fim e o liberalismo perdeu sua hegemonia”, afirma a pesquisadora.
A professora define o iliberalismo como um programa político estruturado em cinco componentes que podem existir em versões moderadas ou mais radicais: uma liderança muito forte baseada na ideia do majoritarismo contra os freios e contrapesos; a defesa da soberania contra instituições supranacionais; uma política externa contra a ordem internacional liberal; o apelo à homogeneidade da nação contra o multiculturalismo; e alguma forma de valores conservadores contra o progressismo.
“É importante pensar no iliberalismo não apenas como uma crítica ao liberalismo, mas como um programa. É outro projeto político”, explica Laruelle.
Para a pesquisadora, o termo populismo frequentemente utilizado para descrever o fenômeno é principalmente um recurso retórico, enquanto o iliberalismo constitui uma ideologia com estrutura e objetivos próprios. Termos como autoritarismo e retrocesso democrático descrevem consequências, mas não capturam a essência do projeto iliberal.
Laruelle está escrevendo um novo livro intitulado “Um adeus ao liberalismo”, com previsão de publicação em 2027. A cientista política acredita que a demanda por líderes iliberais continuará a existir até que o liberalismo e seus agentes sejam capazes de propor um novo horizonte político que pressuponha a redução das desigualdades sociais.



