Comentaristas debatem se Kassio errou ao suspender canal pró-Lula no WhatsApp

José Eduardo Cardozo apontou três equívocos na decisão do presidente do TSE, depois revertida pelo corregedor Ricardo Villas Boas Cueva

Comentaristas debatem se Kassio errou ao suspender canal pró-Lula no WhatsApp
Kassio reúne campanhas de Flávio e Lula após decisões conflitantes no TSE

Em debate na CNN, comentaristas divergem sobre a decisão de suspender o 'Exército do Lula', canal do deputado André Janones com 3 milhões de assinantes.

Comentaristas Vinícius Poit e José Eduardo Cardozo debateram nesta segunda-feira (12), no programa O Grande Debate, se o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, acertou ao suspender o canal “Exército do Lula” no WhatsApp durante o segundo turno das eleições presidenciais.

A decisão inicial de Kassio foi revertida pelo corregedor da Corte eleitoral, Ricardo Villas Boas Cueva. A suspensão havia sido solicitada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e determinava o bloqueio do canal até o fim do pleito. O canal foi criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e conta com mais de 3 milhões de assinantes.

Cardozo apontou três equívocos na decisão de Kassio Nunes Marques. O primeiro foi de ordem procedimental: a ação já estava sob responsabilidade do corregedor-geral, que havia solicitado à campanha de Flávio Bolsonaro a complementação das informações. “A defesa de Flávio Bolsonaro, 40 minutos depois da decisão de que teria que prestar informações, manda um pedido para o presidente do tribunal”, afirmou Cardozo, destacando que Kassio teria ignorado a competência do juiz natural.

O segundo equívoco apontado foi a ausência de provas. Segundo Cardozo, a suspensão de um canal só seria juridicamente sustentável diante de uma prática reiterada de ilícitos devidamente comprovada. “Não havia provas acompanhando o pedido da defesa de Bolsonaro de que houvesse uma prática reiterada de ilícitos”, declarou. A assessoria do tribunal não teria encontrado evidências de fake news no canal, conforme Cardozo.

O terceiro ponto foi a desproporcionalidade da medida: em vez de suspender apenas o conteúdo ilícito, a decisão retirou o canal inteiro do ar.

Poit defendeu a decisão de Kassio Nunes Marques, argumentando que as fake news teriam sido apagadas pelo próprio canal antes que o corpo técnico do tribunal pudesse identificá-las. “Os criminosos apagaram as provas”, afirmou Poit, acrescentando que a campanha de Flávio Bolsonaro se comprometeu a apresentar as evidências posteriormente.

O debate jurídico e político envolveu questões de competência, provas e proporcionalidade da medida adotada no contexto da campanha presidencial.

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