Índice Getnet revela alta no varejo e serviços, porém crescimento não reverte perdas do início do ano
Consumo sustenta alta em varejo e serviços em maio, mas efeitos dos juros altos sinalizam desaceleração econômica.
Consumo impulsiona varejo e serviços em maio, segundo Índice Getnet
O consumo impulsiona varejo e serviços em maio, conforme apontam os dados do Índice Getnet (IGet), divulgados em 9 de fevereiro de 2026. A análise elaborada em parceria com o Santander revela que, apesar do crescimento observado nos setores varejista e de serviços, a economia brasileira enfrenta um cenário de desaceleração gradual, influenciada pelos juros altos e pela diminuição dos estímulos fiscais. Gabriel Couto, economista do Santander, destaca que o desempenho heterogêneo da atividade econômica reflete esses fatores combinados, indicando um segundo trimestre menos robusto.
Avanço do varejo impulsionado por segmentos específicos em maio
No varejo ampliado, o índice cresceu 1,9% no mês de maio, marcando o segundo mês consecutivo de alta, enquanto o índice restrito, que exclui vendas de veículos e materiais de construção, avançou 1,7%, registrando seu primeiro resultado positivo no ano. Segmentos como vestuário tiveram destaque com salto de 12%, seguidos por artigos de uso pessoal (+4,9%), supermercados (+2,0%) e móveis e eletrodomésticos (+0,6%). Em contrapartida, combustíveis (-2,7%) e artigos farmacêuticos (-1,9%) apresentaram retração. As vendas de materiais de construção e automóveis também contribuíram para o crescimento do índice ampliado, crescendo 1,9% e 4,0%, respectivamente.
Setor de serviços registra crescimento tímido e desafios estruturais persistem
O índice de serviços cresceu 0,4% em relação a abril, marcando o terceiro avanço mensal consecutivo para os serviços prestados às famílias. No entanto, este ritmo moderado não foi suficiente para compensar as quedas expressivas de meses anteriores, especialmente em fevereiro. Na comparação anual, o setor ainda apresenta queda de 3,3%, evidenciando fragilidades estruturais. Segmentos como alojamento e alimentação tiveram ligeira retração de 0,1%, enquanto outros serviços às famílias recuaram 2,3%, praticamente revertendo os ganhos do mês anterior. Esses resultados ressaltam o impacto continuado dos juros altos sobre os serviços, apesar da resistência observada no mercado de trabalho e dos estímulos fiscais em declínio.
Impactos dos juros elevados e estímulos fiscais em declínio na economia
A política monetária restritiva, caracterizada por juros elevados, tem exercido forte influência na desaceleração da atividade econômica, afetando tanto o varejo quanto os serviços. Ao mesmo tempo, os impulsos fiscais, que vinham sustentando o consumo, mostram sinais de perda de eficácia, não conseguindo neutralizar completamente os efeitos contracionistas da política monetária. Essa dinâmica reforça a expectativa de uma desaceleração gradual da economia brasileira ao longo do segundo trimestre de 2026.
Perspectivas para a atividade econômica no segundo trimestre de 2026
A análise detalhada dos indicadores do Índice Getnet sugere que o crescimento observado em maio não é suficiente para reverter as perdas acumuladas no início do ano. A expectativa dos analistas, como Gabriel Couto, é que o segundo trimestre será marcado por um desempenho econômico heterogêneo, com setores enfrentando desafios variados. A combinação de juros altos e estímulos fiscais em esgotamento cria um ambiente de maior cautela para o consumo e para os investimentos, o que pode impactar o ritmo da recuperação econômica no curto prazo.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Tânia Rêgo/Agência Brasil





