Ata do Copom destaca impacto da guerra no cenário inflacionário e reduz espaço para redução dos juros
Ata do Copom aponta inflação desancorada até 2028, com guerra no Oriente Médio limitando cortes na taxa Selic e exigindo cautela.
Ata do Copom destaca inflação desancorada até 2028 e impacto da guerra no Oriente Médio
A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada em 5 de fevereiro de 2026, revela que a inflação desancorada até 2028 se tornou um ponto central na avaliação da política monetária. O conflito no Oriente Médio é considerado o principal fator de incerteza que limita a margem para cortes na taxa Selic, atualmente em 14,50%. O documento aprofunda a análise do cenário econômico, destacando que o mercado de trabalho permanece aquecido e que os rendimentos reais superam a produtividade.
Cenário internacional e interno influenciam decisões do Copom
O elemento-chave apontado pela ata é a incerteza sobre a extensão e os efeitos da guerra no Oriente Médio, que já elevou os preços dos combustíveis e pode propagar aumentos ao longo da cadeia produtiva. Esse contexto leva o Banco Central a adotar postura cautelosa, pois os efeitos inflacionários de segunda ordem podem se tornar mais duradouros. Economistas como Gustavo Sung, da Suno Research, indicam que embora as condições atuais permitam cortes, as dúvidas sobre os impactos do conflito ainda persistem.
Implicações para a política monetária e cortes na Selic
A desancoragem das expectativas inflacionárias, especialmente para 2028, aparece pela primeira vez nos documentos oficiais, sinalizando complicações para o Copom. O comitê reconhece que o ciclo de cortes de juros, iniciado com duas reduções recentes, deve ser mais restrito do que se previa antes do conflito. A ata sugere que a política monetária permanecerá mais firme e por mais tempo para conter os efeitos inflacionários derivados do choque de preços do petróleo e seus derivados.
Projeções e riscos para o futuro da taxa básica de juros
Diversas instituições financeiras revisaram suas projeções para a Selic, refletindo maior cautela. A XP considera dois cortes de 0,50 ponto percentual ainda possíveis, mas vê esse cenário como menos provável. O ASA projeta um corte menor, e o Inter prevê uma Selic em 12,75% no fim do ano, com riscos fiscais sendo fator de atenção. O Boletim Focus indica que a taxa poderá atingir 13% em 2026 e permanecer elevada até 2029, evidenciando a expectativa de um ciclo monetário mais conservador.
Desafios para o controle da inflação e o papel do Banco Central
A ata ressalta que os efeitos de primeira ordem, como o aumento dos combustíveis, já impactam a economia, mas o maior desafio está nos efeitos persistentes sobre preços, salários e expectativas. A demora na resolução do conflito geopolítico aumenta a probabilidade de impactos duradouros, o que obriga o Banco Central a manter um compromisso firme contra a inflação. O mercado de trabalho ainda apertado e a desaceleração da atividade doméstica reforçam a complexidade do cenário para a política monetária.
Este contexto traz uma nova dinâmica para a condução dos juros no Brasil, onde a inflação desancorada até 2028 impõe limites para cortes mais agressivos na Selic e demanda cautela diante dos riscos globais e internos.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Raphael Ribeiro/BCB





