Corte da selic em 14,5% traz alerta sobre pausa futura na política monetária

Raphael Ribeiro/BCB

Economistas debatem impacto do corte no juro e riscos associados à inflação e desaceleração econômica

O corte da Selic para 14,5% reacende o debate sobre pausas nos ajustes diante da inflação e desaceleração econômica.

Confira a programação completa das próximas reuniões do Copom

16 e 17 de junho
4 e 5 de agosto
15 e 16 de setembro
3 e 4 de novembro

  • 8 e 9 de dezembro

Corte da Selic em 14,5% e os desafios da política monetária brasileira

O corte da Selic para 14,5%, decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), trouxe à tona o alerta para o risco de uma pausa futura no ciclo de juros. Apesar do impacto negativo de choques externos, como a guerra no Oriente Médio, o Banco Central projeta que esses efeitos se dissiparão até o quarto trimestre de 2027, permitindo que a inflação retorne a níveis próximos de 3,5%. Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, destaca que a natureza exógena da pressão inflacionária, especialmente nos preços dos combustíveis, limita o efeito de juros elevados para controlar a inflação.

Impactos econômicos do corte da Selic diante da desaceleração do crescimento

A redução da taxa Selic ocorre em um momento em que a economia brasileira já apresenta desaceleração, com o ritmo de crescimento caindo de 3,7% para cerca de 2% em 12 meses. Caio Megale, da XP, observa que o comunicado do Copom sinaliza uma calibração mais lenta nos cortes, diante da possibilidade de piora no cenário inflacionário. Essa conjuntura exige cuidado para evitar que a alta dos juros acabe asfixiando financeiramente empresas, principalmente aquelas que convivem com taxas elevadas há mais de um ano.

As pressões inflacionárias externas e seus efeitos na cadeia produtiva nacional

A inflação atual no Brasil é multifatorial, com destaque para pressões externas nos preços dos combustíveis e commodities. Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), ressalta que a pressão não vem da demanda, mas da oferta, exigindo fortalecimento da cadeia produtiva doméstica. Entidades como a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e a Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) alertam para o risco de desindustrialização, especialmente em um cenário de crédito caro e restrito.

Desafios do mercado de crédito para pequenas e médias empresas no atual cenário

Setores dependentes de financiamento, como o mercado imobiliário, enfrentam dificuldades em função do custo elevado do crédito. Thiago Aor, CFO da Cora, chama atenção para o impacto desse custo sobre o capital de giro das PMEs. A manutenção de juros altos reduz a liquidez e limita a capacidade de investimento e operação dessas empresas, agravando a desaceleração econômica e restringindo a recuperação do consumo.

Perspectivas para o ciclo de juros e estratégias do Banco Central

Embora o corte recente indique o início de um ciclo mais construtivo, economistas concordam que a política monetária deve seguir calibrada com cautela. Gustavo Sung, da Suno Research, enfatiza que o Banco Central sinalizou serenidade, dependendo dos dados macroeconômicos futuros para novas decisões. A existência de incertezas geopolíticas, como o conflito no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo, pode exigir ajustes na estratégia e até mesmo uma pausa nos cortes, conforme avaliam especialistas como José Faria Júnior, da Wagner Investimentos. A expectativa é que o ciclo de redução dos juros seja gradual, visando equilibrar estímulo econômico e controle da inflação.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Raphael Ribeiro/BCB

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