Crédito bancário lento limita crescimento da construção civil em 2026

Fernando Frazão/Agência Brasil

Setor enfrenta alta de custos e demora na liberação de recursos, impulsionando busca por Fundos de Investimento em Direitos Creditórios

A construção civil em 2026 sofre com crédito bancário lento e alta de custos, que afetam obras e impulsionam o uso de FIDCs para capital.

Crédito bancário lento desafia o ritmo da construção civil em 2026

O crédito bancário lento tem sido um dos principais obstáculos para o desenvolvimento da construção civil em 2026. Sob um cenário marcado por juros altos e inflação persistente, os prazos para liberação de financiamentos tradicionais podem atingir cerca de 90 dias, segundo fontes do setor. Essa demora afeta diretamente o fluxo de caixa das incorporadoras, comprometendo o cronograma físico das obras e exigindo um ajuste na gestão financeira das empresas. André Caruso, CEO da Pilar Capital, destaca que não basta o custo do crédito, mas também a previsibilidade e o tempo de liberação para o sucesso dos empreendimentos.

Alta dos custos com materiais pressiona orçamento e limita expansão

Além do crédito restrito, o setor enfrenta aumento expressivo nos custos dos insumos. O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) subiu 1,4% somente em abril, refletindo o impacto do preço do petróleo e das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Esse cenário eleva o custo total dos projetos e reduz a margem de lucro das construtoras. A permanência da taxa Selic próxima de 13% ao ano reforça a pressão sobre as finanças, tornando a atividade da construção civil ainda mais intensiva em capital e menos atraente para investimentos tradicionais.

Projeções da CBIC indicam crescimento reduzido para o setor

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revisou a estimativa de crescimento do setor para 2026, reduzindo-a de 2% para 1,2%. Apesar disso, o primeiro trimestre registrou boa performance, com a geração de mais de 120 mil empregos formais e manutenção de aproximadamente 3 milhões de trabalhadores no segmento. Contudo, o cenário de custos elevados e crédito restrito limita o potencial de expansão, elevando o risco de paralisações e atrasos em obras pelo país.

Crescente adesão a Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs)

Diante das dificuldades no acesso ao crédito tradicional, construtoras e incorporadoras têm voltado sua atenção para o mercado de capitais, especialmente para os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Esses fundos adquiriram destaque em 2026, registrando captação líquida de R$ 4,5 bilhões em abril, em contraste com saídas de recursos em outros segmentos de fundos. Os FIDCs transformam recebíveis futuros em liquidez imediata, oferecendo uma alternativa para o fluxo de caixa das empresas, especialmente para aquelas de médio porte que enfrentam restrições nos grandes bancos.

Perspectivas para financiamento e sustentabilidade dos projetos imobiliários

O modelo de financiamento via FIDCs tem se mostrado uma solução alinhada às necessidades atuais do mercado imobiliário brasileiro. Vicente Guimarães, Diretor de RI do Grupo IOX, ressalta que esses fundos apresentam regras claras, governança estruturada e análise de risco detalhada, atraindo investidores que buscam exposição ao crédito conectado à economia real. A Pilar Capital, por exemplo, monitora mais de 100 empreendimentos com Valor Geral de Vendas superior a R$ 3 bilhões, evidenciando a relevância do financiamento diversificado para viabilizar projetos em um ambiente econômico desafiador.

Desafios e alternativas para o futuro da construção civil no Brasil

O setor imobiliário brasileiro enfrenta a necessidade de diversificar suas fontes de financiamento para lidar com o ciclo dinâmico das obras e as restrições do crédito bancário tradicional. A manutenção de altos juros e a burocracia na liberação de recursos exigem soluções financeiras ágeis que atendam à urgência dos canteiros de obras. A continuidade da construção civil dependerá da capacidade das empresas em adotar modelos inovadores e da resposta do mercado de capitais para garantir a sustentabilidade dos projetos e o crescimento do setor em 2026.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Fernando Frazão/Agência Brasil

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