Caso de Iftikhar Masih revela prática de violência policial contra minorias religiosas em Lahore

Iftikhar Masih, pai católico de quatro filhos, foi torturado até a morte pela polícia paquistanesa em Lahore, denunciando abusos contra minorias.
O caso de Iftikhar Masih e a violência policial em Lahore
O cristão torturado e morto Iftikhar Masih, em 26 de março na área de Sadhoki Kahna Nau, Lahore, é um exemplo dramático da violência policial contra minorias religiosas no Paquistão. Detido sob falsas acusações de sequestro, Masih foi submetido a tortura que resultou em sua morte horas depois da prisão. Seu irmão, Riyasat Masih, contestou a versão oficial de suicídio, denunciando marcas visíveis de abuso corporal no corpo de Iftikhar.
As circunstâncias da detenção e a tentativa de extorsão
A prisão de Iftikhar ocorreu após a polícia, representada pelo oficial Mohsin Shah, acusá-lo de tentativa de sequestro armada. Nenhum boletim de ocorrência foi registrado formalmente, e a família recebeu um pedido de suborno de 200.000 rúpias paquistanesas (cerca de US$ 720) para sua libertação. A tentativa de extorsão revela práticas comuns de abuso de poder e corrupção dentro da polícia local, agravando o ambiente já hostil para minorias religiosas.
O impacto dos protestos e a resposta oficial
A notícia da morte de Iftikhar Masih mobilizou mais de 300 membros da comunidade cristã local, que realizaram protestos bloqueando o acesso à delegacia e impedindo a remoção imediata do corpo. A pressão social levou à prisão do policial Mohsin Shah e ao registro de um boletim de ocorrência contra ele e um cúmplice não identificado. Apesar disso, a demora na divulgação do laudo da autópsia e a falta de transparência continuam a alimentar dúvidas sobre a responsabilização efetiva dos envolvidos.
Contexto mais amplo: abusos e mortes sob custódia policial em Punjab
O caso de Iftikhar Masih ocorre em um momento em que a província de Punjab registra um número alarmante de mortes sob custódia policial. Segundo a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP), pelo menos 924 pessoas foram mortas em confrontos com a polícia nos primeiros oito meses de 2025. O padrão uniforme dessas mortes sugere uma prática institucionalizada, não incidentes isolados, segundo especialistas. Essa realidade evidencia a fragilidade do sistema de justiça e proteção dos direitos humanos na região.
Situação das minorias religiosas e a perseguição aos cristãos no Paquistão
Organizações de direitos humanos, como o grupo Portas Abertas, apontam o Paquistão como um dos países com maior perseguição a cristãos. A discriminação sistêmica, violência coletiva, conversões forçadas e a aplicação deficiente da lei colocam os cristãos em situação vulnerável. Casos como o de Iftikhar Masih ilustram os riscos enfrentados por essas comunidades, refletindo um cenário de intolerância que impacta diretamente as condições de vida e segurança das minorias religiosas.
Desafios para a justiça e direitos humanos no Paquistão
A morte de Iftikhar Masih e os padrões de violência policial em Punjab ressaltam a necessidade urgente de investigações imparciais e reformas institucionais. A resistência da polícia em reconhecer maus-tratos, a demora em fornecer laudos periciais e a pressão política para encobrir abusos dificultam a responsabilização dos perpetradores. O cenário demanda mobilização da sociedade civil e ações governamentais efetivas para garantir o respeito aos direitos humanos e a proteção das comunidades vulneráveis no país.





