Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro reforça polarização e afasta indecisos

Ambas as campanhas reconhecem que confronto teve pouco potencial para conquistar novos eleitores. Próximo debate está marcado para sexta-feira na TV Globo.

Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro reforça polarização e afasta indecisos
Debate amplia críticas a candidatos nas redes, diz AP Exata

Primeiro confronto entre presidente Luiz Inácio Lula da Silva e senador Flávio Bolsonaro foi marcado por acusações pessoais. Ambas as campanhas reconhecem que polarização afastou eleitores indecisos.

O primeiro confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado neste domingo (18), foi marcado por provocações pessoais que se sobrepuseram à discussão de problemas reais do país. De acordo com integrantes das duas campanhas, o debate reforçou a polarização e afastou eleitores indecisos que rejeitam os dois lados.

Segundo aliados do presidente, o senador demonstrou nervosismo, despreparo e agressividade durante o confronto. Os integrantes da campanha de Lula afirmam que Flávio Bolsonaro não conseguiu responder aos questionamentos sobre o financiamento do filme Dark Horse e sobre Jair Bolsonaro, e consideram especialmente negativa sua reação ao desafio do presidente para que ambos abram os sigilos bancário e telefônico. De acordo com interlocutores, o próprio Lula lamentou a qualidade do confronto em conversa com integrantes da campanha após o debate.

Integrantes da campanha de Flávio, por sua vez, consideram que o senador estava mais calmo do que o adversário, embora reconheçam que o formato de confronto livre não favoreceu a apresentação de propostas. Segundo aliados do candidato, Flávio Bolsonaro explorou temas como segurança pública, a situação dos presídios e denúncias envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Há, no entanto, o reconhecimento de que o senador ficou na defensiva em alguns momentos e deixou perguntas sem resposta.

Apesar das críticas ao desempenho dos dois candidatos, a conclusão nas duas campanhas é de que o debate deve provocar poucas mudanças nas intenções de voto. De acordo com a avaliação interna das campanhas, com a disputa apertada e o eleitorado dividido, o confronto serviu para reforçar convicções já existentes em vez de conquistar novos apoios.

A estratégia da campanha de Lula agora será intensificar as atividades de rua e preparar o presidente para o último encontro, previsto para sexta-feira (23), na TV Globo. Na campanha de Flávio, a avaliação é que o senador precisará ser mais incisivo no próximo debate, responder com maior rapidez e devolver os questionamentos ao presidente.

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