Sem maioria de dois terços, democratas não conseguem derrubar vetos presidenciais, mas podem obstruir projetos republicanos no Senado até janeiro

Democratas conquistaram Câmara e Senado em eleições de 3 de novembro, mas não obtiveram dois terços dos votos necessários para derrubar vetos de Trump sobre política energética.
Os democratas conquistaram a Câmara e o Senado nas eleições de 3 de novembro, mas não alcançaram a maioria de dois terços necessária para derrubar vetos presidenciais sobre a agenda energética de Trump.
A perda dessa supermaioria elimina um atalho que os republicanos usaram para cortar incentivos a energias renováveis sem negociar. Trata-se da reconciliação orçamentária, um procedimento que permite aprovar certas mudanças de impostos e gastos com maioria simples no Senado, contornando a obstrução legislativa conhecida como filibuster.
Em projetos comuns, senadores podem adiar indefinidamente a votação, prolongando o debate. Para encerrar a discussão e permitir que o projeto seja votado, geralmente são necessários 60 dos 100 votos no Senado. Mesmo que aprovada uma medida, Trump poderá vetá-la. Para derrubada do veto, os democratas precisariam de dois terços dos votos em cada casa — maioria que não conquistaram.
Em 2025, os republicanos utilizaram essa via para antecipar o fim de incentivos a renováveis e veículos elétricos. A partir de janeiro, sem controlar as duas casas, não conseguirão repetir a operação sozinhos.
Os democratas enfrentarão seus próprios limites. Mesmo aprovando novos incentivos à energia limpa, sofrerão veto de Trump. Até janeiro, os republicanos mantêm controle do Congresso. Contudo, no Senado, os democratas podem impedir votações ao se recusarem a encerrar debates. Para superar essa obstrução, os republicanos precisam de 60 votos. Sem esse apoio, a reforma do licenciamento energético poderá ficar para 2027, quando os democratas terão maioria nas duas casas e maior poder de negociação.
A pressão sobre energia se intensifica com a guerra no Irã. A Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos (EIA) prevê que o Brent e o diesel rodoviário custará 39% e 42% mais caro em média em 2026 comparado a 2025. Fretes e alimentos encarecem, enquanto produzir mais petróleo nos EUA não protege consumidores do mercado global.
O orçamento anual já exigia acordos no Senado. Agora, a Câmara democrata também negociará despesas. Deputados poderão investigar concessões de petróleo e gás; senadores, rejeitar indicados à EPA e à regulação energética. Trump preserva seu poder de veto em qualquer medida que chegue à sua mesa.



