Emilio Delgado acusa pregadores evangélicos de práticas agressivas e gera debate sobre liberdade religiosa na Espanha
Deputado Emilio Delgado pede que metrô de Madri proíba evangelismo, acusando pregadores de incomodar passageiros e associando-os a movimentos políticos.
Proposta de proibição ao evangelismo em metrôs de Madri gera controvérsia
A proibição ao evangelismo nos metrôs de Madri foi proposta pelo deputado Emilio Delgado, da legenda Más Madrid, na Assembleia Legislativa da capital espanhola em 14 de maio. Em seu discurso, Delgado classificou os pregadores evangélicos como “vigaristas e golpistas” que perturbam passageiros durante seus trajetos. Esta iniciativa surge em meio ao aumento da presença evangélica no país, especialmente em Madri, que atualmente possui 855 templos, segundo relatório do Observatório do Pluralismo Religioso de 2025.
Acusações e posicionamentos do deputado Emilio Delgado
Emilio Delgado afirmou que o transporte público está sendo utilizado para promover eventos evangélicos, descrevendo o movimento como “uma força religiosa particularmente agressiva”, associada ao movimento político “Make America Great Again” e ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, os evangélicos pentecostais são ultraconservadores em temas sociais e ultraliberais em questões econômicas. Delgado também criticou práticas como supostos milagres e o falar em línguas, alegando que essas ações causam “deterioração da convivência” e “importunam” os passageiros nos vagões.
Resposta oficial e debate sobre liberdade religiosa
Jorge Rodrigo, Ministro da Habitação, Transportes e Infraestrutura da região de Madri, respondeu à proposta afirmando que já existem regulamentações contra comportamentos que perturbem a ordem pública no metrô, aplicáveis a qualquer pessoa, incluindo pregadores. Rodrigo sugeriu que a crítica do deputado estava motivada por uma aversão ao cristianismo, afirmando que se os pregadores fossem de outras correntes ideológicas, como propagadores do comunismo, a mesma reação não ocorreria. Ele ressaltou que o desconforto seria político, relacionado ao fato do cristianismo representar um projeto oposto ao de Delgado.
Crescimento das igrejas evangélicas na Espanha e impacto social
O aumento expressivo do número de igrejas evangélicas no país tem provocado debates sobre o espaço público e a liberdade religiosa. O relatório do Observatório do Pluralismo Religioso indicou a existência de 4.763 templos evangélicos na Espanha em 2025. A Catalunha lidera com 1.010 locais, seguida por Madri, Andaluzia e Comunidade Valenciana. Este crescimento tem impulsionado discussões sobre o convívio social, a presença religiosa em espaços públicos e o limite entre expressão religiosa e ordem pública.
Desafios para a convivência no transporte público e implicações políticas
A proposta de Emilio Delgado reflete tensões entre grupos políticos e religiosos na Espanha, evidenciando divergências quanto à presença de manifestações religiosas em locais públicos como o metrô. A questão central reside no equilíbrio entre garantir a liberdade de expressão religiosa e preservar o direito dos cidadãos a um ambiente livre de incômodos. A controvérsia levanta questões sobre o papel do Estado em mediar conflitos entre grupos sociais e a influência da política na regulação dessas manifestações.
Este debate em Madri destaca a complexidade da convivência em sociedades pluralistas, onde diferentes valores e crenças coexistem e nem sempre encontram consenso quanto aos seus limites e formas de manifestação.





