Cientista político aponta decisões irracionais de ministros como reflexo de disputa interna no tribunal durante campanha presidencial

Cientista político afirma que disputa de poder interno no STF reflete em decisões fragmentadas que prejudicam confiança nas eleições
A reta final da campanha eleitoral de 2026 foi marcada por intensa judicialização, com decisões de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) provocando consequências políticas e institucionais. O último episódio foi o cancelamento do debate presidencial da TV Globo, que aconteceria na quinta-feira (1º), após intervenções judiciais conflitantes.
O ministro Gilmar Mendes determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no debate. Simultaneamente, a ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu que a emissora exibisse uma cadeira vazia no lugar reservado ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), que havia optado por não comparecer. Diante do impasse, a TV Globo cancelou o evento.
O cientista político e diretor da Dominium, Leandro Gabiatti, avaliou que o cenário reflete disputa interna de poder dentro do próprio STF. “A gente talvez pode entender melhor o que está acontecendo hoje com o Poder Judiciário colocando a eleição presidencial como um acessório dessa disputa”, afirmou.
Para Gabiatti, o resultado é um tribunal que “produz decisões totalmente irracionais, fragmentadas e incoerentes”, justamente quando deveria ser “o poder do equilíbrio, da sensatez e da ponderação”. Segundo ele, essa dinâmica “acaba contaminando a própria lisura do Tribunal Superior Eleitoral” e a legitimidade do processo eleitoral.
O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, apontou que os acontecimentos elevaram o custo político de eventual derrota para ambas as campanhas. Da campanha de Lula, estaria sendo construído discurso sobre interferência externa, com a AGU (Advocacia-Geral da União) se pronunciando sobre o tema. Entre integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Rittner relatou “absoluta indignação e um sentimento de que há uma manipulação do processo eleitoral”.
“Numa eleição em que você tem toda a tendência de um resultado muito apertado, talvez um 51-49, o custo de aceitação da derrota está aumentando significativamente”, disse Rittner. O analista de Política da CNN, Caio Junqueira, detalhou o que chamou de “digital” dos fatos ocorridos no dia, apontando que o PT havia assinado contrato com a TV Globo para o debate presidencial.



