Instrumento que poderia destravar R$ 11 trilhões disputa espaço com reformas tributárias mais urgentes

Apesar do potencial de movimentar bilhões, a duplicata escritural segue com adoção limitada no mercado corporativo
A duplicata escritural segue distante da adoção em massa
A duplicata escritural representa uma das principais inovações do sistema financeiro para destravar capital nas empresas brasileiras, mas sua trajetória tem se caracterizado por um ritmo lento e hesitante. Regulamentado pelo Banco Central, o instrumento permite que empresas transformem créditos em operações digitalizadas, facilitando acesso ao financiamento sem intermediários tradicionais.
Por que a adoção segue limitada
O potencial de movimentação de recursos é expressivo, estimado em cerca de R$ 11 trilhões. Apesar disso, empresas continuam relutantes em adotar o mecanismo em larga escala. A falta de familiaridade com o instrumento, aliada à necessidade de investimentos em infraestrutura tecnológica, representa barreira significativa para pequenas e médias organizações.
Outra questão crítica envolve a educação financeira. Muitos gestores ainda desconhecem as vantagens práticas da duplicata escritural comparada aos métodos tradicionais de securitização, que permanecem consolidados no mercado.
Agenda política compete pela atenção
Forças macroeconômicas interferem na velocidade de implementação. A reforma tributária, em fase de transição, demanda energia política e recursos corporativos que poderiam estar dedicados à adoção de novos instrumentos financeiros. Gestores priorizam adequação fiscal sobre inovações de médio prazo.
Perspectivas para o mercado
O Banco Central mantém esforços para simplificar regulamentações e incentivar participação de instituições financeiras no modelo. Iniciativas de divulgação e treinamento continuam em andamento, mas ganham terreno lentamente.
Especialistas apontam que a duplicata escritural tende a ganhar relevância conforme a economia se estabilize e pautas urgentes percam prioridade na agenda governamental e corporativa. Por enquanto, o instrumento permanece em estágio de desenvolvimento, aguardando o momento certo para decolar.





