Pesquisas mostram Flávio em empate técnico. Vencedor terá de adotar novo modelo de governança após disputa apertada

Pesquisas divulgadas no sábado mostram senador Flávio Bolsonaro em empate técnico com presidente. Vencedor enfrentará desafio de governar de forma diferente
O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegam à reta final da eleição presidencial de domingo (25) sem um favorito definido. As pesquisas divulgadas no sábado (24) mostram Flávio numericamente à frente, em empate técnico com Lula.
Qualquer que seja o vencedor terá pela frente o desafio de adotar uma nova maneira de governar após uma das disputas presidenciais mais apertadas da história, conforme análise de interlocutores. A própria dinâmica da campanha indica que encontrará uma oposição organizada e mobilizada.
Flávio foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato ao Planalto para manter a força do bolsonarismo dentro da família. Segundo aliados do senador, ele terá de imprimir uma marca própria à Presidência sem reproduzir os erros do pai. No entorno de Flávio, afirma-se que, se eleito, o senador terá o pai como conselheiro, mas será o “dono da caneta Bic”.
Questionado sobre a possibilidade de nomear Jair Bolsonaro para um cargo, Flávio afirmou que o pai nunca tratou do assunto com ele. “Meu pai vai ser você, vai ser o povo brasileiro”, disse em sabatina à TV Globo.
A missão, contudo, não será simples para Flávio. Além da influência do pai, o senador terá de administrar os interesses dos irmãos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, senador eleito por Santa Catarina, identificados com a ala mais ideológica do bolsonarismo. A madrasta, Michelle Bolsonaro, senadora eleita pelo Distrito Federal, também faz parte dessa dinâmica.
Lula reconhece a necessidade de rever a forma de governar depois de um terceiro mandato em que a frente ampla anunciada em 2022 não se traduziu em uma efetiva divisão de poder nem conseguiu atrair eleitores para além da esquerda, segundo avaliação de interlocutores. A possibilidade de uma virada está sendo apostada pelo entorno do presidente.
Segundo interlocutores de Flávio, um dos argumentos para sustentar que seu eventual governo não será um “Jair 2.0” é a própria construção da candidatura, buscando imprimir um estilo mais aberto ao diálogo e à composição política do que o ex-presidente.



