Creomar de Souza aponta falta de hierarquia entre ministros e questiona capacidade do TSE para conduzir eleições

CEO da consultoria Dharma Politics descreve momento atual do Supremo como guerra civil e aponta riscos ao processo eleitoral
O CEO da consultoria Dharma Politics, Creomar de Souza, caracterizou como uma “guerra civil” o momento atual vivido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, o cenário apresenta dois movimentos distintos, ambos com potencial de gerar impactos institucionais e políticos significativos.
O primeiro movimento identificado diz respeito ao comportamento das duas turmas do STF. De acordo com Creomar, a maioria dos membros de cada turma tem assumido postura de alta beligerância, desrespeitando as decisões uns dos outros. “A partir do princípio de que não há hierarquia entre os membros da Suprema Corte”, afirmou o analista.
Embora tal princípio possa ser considerado válido do ponto de vista constitucional, Creomar avaliou que “gera um impacto institucional e político muito negativo”.
O segundo movimento apontado envolve uma articulação descrita como reação ao que teria sido identificado como uma ofensiva liderada por Gilmar Mendes. Segundo Creomar de Souza, esse grupo, descrito como “politicamente mais coeso”, estaria enviando um recado claro de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), especialmente sua presidência, vice-presidência e ao menos um de seus integrantes, não teria condições de conduzir o processo eleitoral em sua fase mais crítica.
O analista alertou para os riscos derivados desse cenário. Há o perigo de que a disputa cresça sem qualquer componente de racionalidade, dominada pela busca por poder e pelo enquadramento do adversário. O resultado, segundo Creomar de Souza, seria um eleitorado ao mesmo tempo perplexo com os acontecimentos e profundamente descrente em relação a qualquer resultado do processo eleitoral, independentemente de qual seja.



