Exportações de café do Brasil caem 7,8% no primeiro trimestre de 2026

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Cenário de entre-safra e tensões geopolíticas impactam volume e receita das exportações brasileiras de café

Exportações de café do Brasil caem 7,8% no primeiro trimestre de 2026
Grãos de café prontos para exportação. Foto: Logo CNN Agro

Exportações de café do Brasil registram queda de 7,8% em 2026 devido a entre-safra e crise geopolítica global.

Queda nas exportações de café do Brasil no primeiro trimestre de 2026

As exportações de café do Brasil registraram uma queda de 7,8% no primeiro trimestre de 2026, conforme dados divulgados pelo Cecafé. No mês de março, os embarques totalizaram 3 milhões de sacas de 60 quilos, representando esse declínio em relação ao mesmo período do ano anterior. O cenário atual, marcado pela entre-safra, tem provocado menor oferta do produto e impactado diretamente o volume exportado.

Impactos geopolíticos e econômicos sobre as exportações brasileiras

O diretor executivo do Cecafé, Marcos Matos, destaca que a redução nas exportações do café brasileiro não se deve apenas à oferta limitada. A crise geopolítica no Oriente Médio, considerada uma das mais severas desde a década de 1970, somada ao aumento global do custo de vida e aos custos logísticos elevados na Europa, contribuem para o enfraquecimento do setor. Além disso, as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, incluindo tarifas aplicadas ao café até novembro de 2025, influenciaram negativamente as vendas para o maior consumidor histórico da commodity.

Mudanças no mercado internacional e perda de participação do Brasil

Com a redução da oferta nacional, o Brasil está perdendo espaço no mercado internacional. O Vietnã, por exemplo, tem ampliado sua participação devido à maior disponibilidade. No primeiro trimestre de 2026, a Alemanha passou a ser o maior importador do café brasileiro, respondendo por 14,1% dos embarques, cerca de 1,2 milhão de sacas, apesar de redução de 15,63% em volume. Os Estados Unidos vêm em seguida, com 936 mil sacas adquiridas e uma queda acentuada de 48,3% na comparação com o período anterior. Itália, Bélgica e Japão completam o top 5 dos principais destinos.

Receita cambial e resultados financeiros do setor cafeeiro

Apesar da diminuição no volume exportado, a receita cambial do café brasileiro alcançou US$ 1,125 bilhão em março, uma queda de 15% em relação a março de 2025. No acumulado do ano-safra, que vai de julho de 2025 a março de 2026, as exportações somaram 29 milhões de sacas, 21% abaixo do ano anterior, mas a receita alcançou US$ 11,4 bilhões, representando um aumento de 2,9%. Tal valorização é explicada pelos preços superiores praticados na primeira parte do período.

Perspectivas para a safra brasileira e competitividade futura

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra recorde para 2026, com início da colheita do café conilon e robusta em abril, e do arábico em maio. Espera-se que esse aumento na produção inicie uma recuperação da competitividade das exportações brasileiras frente aos concorrentes internacionais. Contudo, a retomada dependerá do cenário geopolítico global se estabilizar, reduzindo os efeitos negativos sobre os custos e a demanda.

Cenário atual e desafios para os produtores nacionais

O período de entre-safra tem levado os produtores brasileiros a armazenarem os estoques para aguardar preços mais atraentes, o que contribui para a escassez de café disponível para exportação. Essa estratégia, embora compreensível sob a ótica do produtor, agrava a perda de market share do Brasil no mercado internacional. A necessidade de equilibrar oferta e demanda, aliada à adaptação às condições geopolíticas e comerciais globais, será decisiva para a retomada do protagonismo brasileiro no comércio mundial de café.

Com esses desafios e oportunidades, o setor cafeeiro brasileiro enfrenta um momento decisivo para consolidar sua posição e garantir a sustentabilidade econômica dos próximos anos.

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