Pesquisa Gallup revela queda na percepção de que religiosidade beneficia os EUA, com exceção em segmentos específicos

Dados mostram redução de 10 pontos percentuais em apoio à ideia de que maior religiosidade seria benéfica para o país entre 2013 e 2026.
A crença de que a fé e religiosidade beneficiariam os Estados Unidos perdeu força significativa entre os americanos, conforme indicam dados recentes de levantamentos de opinião conduzidos entre 2013 e 2026.
Apenas dois terços (65%) dos cidadãos acreditam que uma sociedade com maior presença religiosa seria positiva para o país. Este número representa uma queda de 10 pontos percentuais em relação a 2013, quando 75% compartilhavam dessa visão.
Ao mesmo tempo, o ceticismo cresceu. A proporção daqueles que consideram a religiosidade prejudicial à sociedade saltou de 17% para 22% no mesmo período.
Variações regionais e demográficas revelam polarização
A análise por grupos sociais expõe um cenário complexo de divergências. Eleitores republicanos e católicos escapam à tendência geral: entre esses segmentos, a convicção de que fé é benéfica para o país aumentou desde 2013.
Outros grupos apresentaram encolhimento notável. Mulheres, jovens de 18 a 34 anos, pessoas com algum nível de educação superior e eleitores democratas todos registraram queda de 16 pontos percentuais na percepção do benefício religioso.
Os protestantes e membros de igrejas não denominacionais também sentiram erosão dessa crença, caindo 7 pontos em comparação com 2013.
Surpreendente declínio até entre praticantes assíduos
Dado particularmente significativo: mesmo entre americanos que frequentam cultos religiosos pelo menos uma vez por semana, apenas 5 pontos percentuais separavam a percepção positiva atual da registrada há 13 anos.
Esse fenômeno sugere transformação nas próprias comunidades de fé, onde questionamentos sobre o papel social da religião ganham espaço até entre seus membros mais engajados.
Governo e moralidade ganham relevância na percepção pública
Paralelamente ao arrefecimento da confiança na religiosidade, cresce a convicção de que políticas governamentais molduram valores morais da sociedade. Entre 2006 e 2026, a proporção de pessoas com essa visão subiu de 59% para 69%.
O aumento foi mais pronunciado entre jovens de 18 a 34 anos e entre aqueles sem filiação religiosa, ambos registrando crescimento de 19 pontos percentuais. Na faixa de 35 a 54 anos, a mudança foi modesta: 61% em 2006 evoluiu para 63% atualmente.
Contexto de transformação religiosa nos EUA
Os números refletem momento de reconfiguração do panorama religioso americano. As proporções de cidadãos que se identificam como religiosos atingem patamares próximos a mínimas históricas em praticamente todas as dimensões mensuráveis.
Autoridades que acompanham fenômenos sociais observam que os americanos permanecem divididos fundamentalmente conforme linhas partidárias e religiosas no tocante ao papel que o governo deveria exercer na promoção de valores morais.
A tendência geral, porém, aponta para redução significativa de apoio à ideia de que o estado deve atuar nesse campo. Três décadas atrás, o consenso em torno dessa premissa era mais forte do que hoje.
Implicações para o futuro da relação entre fé e política
A combinação desses fatores—redução da crença no benefício da religiosidade, crescimento do ceticismo, e aumento da percepção do papel moral do governo—constitui transformação ampla da relação entre fé e espaço público americano.
Os dados sugerem que mesmo comunidades religiosas tradicionais revisam suas posições quanto ao impacto benéfico da fé na sociedade, enquanto segmentos mais jovens e urbanos avançam mais rapidamente nessa reavaliação.





