Campanha do senador calcula impacto de 1% a 2% em votos contra presidente após proibição de bets

Campanha de Flávio Bolsonaro tenta capitalizar insatisfação de torcidas organizadas com proibição de bets e ao mesmo tempo contém danos de fake news sobre Nossa Senhora Aparecida.
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aposta na reação de torcidas organizadas à proibição das bets para devolver ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o desgaste provocado pelas polêmicas em torno de Nossa Senhora Aparecida. O cálculo de aliados de Flávio é que o impacto nos clubes deve tirar de 1% a 2% de votos de Lula.
Nos últimos dias, bolsonaristas têm acompanhado nas redes a mobilização de comentários sobre a edição da medida provisória que proibiu a atuação de empresas de apostas e os paralelos traçados com a retirada de patrocínios dos clubes. Governistas têm minimizado o impacto para dizer que os times não ficarão sem patrocínio e que outras empresas já demonstraram interesse em ocupar o espaço das bets.
A campanha de Flávio tenta conter os impactos da fake news sobre a padroeira e ao mesmo tempo gerir o efeito da proibição das bets sobre o eleitorado evangélico e outras fatias da população. O PT fala em ganho eleitoral com a edição da medida provisória.
Flávio tem se dividido entre acenos a católicos e evangélicos e chegou a comparar a fake news sobre a padroeira com a facada sofrida pelo pai em 2018, em Juiz de Fora, durante entrevista a um podcast católico.
A campanha também publicou uma nota para esclarecer uma fala de agosto em que Flávio afirmou que um de seus primeiros atos, caso eleito, seria “decretar” que o país pertence a Jesus Cristo. Segundo a manifestação enviada pela equipe de Flávio na noite de segunda-feira (28), o senador afirma que “sempre defendeu o total respeito a todas as religiões e formas de expressão da fé”.
“Flávio fará uma oração antes de ler o termo de posse quando assumir a Presidência da República entregando o Brasil a Jesus Cristo, numa ação simbólica de agradecimento e também como um pedido de proteção e benção para todos os brasileiros”, afirma a nota.
Aliados como Silas Malafaia e outros pastores soltaram uma nota em nome do Cimeb (Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil) para dizer que evangélicos e católicos vivem em paz e que não existe nenhuma iniciativa para promover o cancelamento de feriados ou cultos religiosos.



