Candidato à Presidência apresentou notícia-crime ao STF baseada em mensagens extraídas pela PF do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro

Candidato à Presidência apresentou notícia-crime ao STF pedindo apuração de suposta corrupção passiva e advocacia administrativa
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou na quarta-feira (23) ao Supremo Tribunal Federal uma notícia-crime contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), solicitando a abertura de investigação por suposta prática de corrupção passiva e advocacia administrativa no caso Banco Master. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça.
O pedido se baseia em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nas quais o então advogado dele, Walfrido Warde, relata conversas com Lula e integrantes do governo federal. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pela CNN com fontes que tiveram acesso aos dados do celular do ex-banqueiro.
Em uma das mensagens, Warde afirma que Lula teria agradecido por um uísque dado por Vorcaro. O diálogo é de janeiro de 2025, um mês depois de uma reunião entre os dois no Planalto.
“Querido, estive com o PR [Presidente da República] hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente”, escreveu Warde a Vorcaro em 22 de janeiro do ano passado. O ex-banqueiro respondeu com um emoji de coração.
Em nota enviada à CNN, a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) afirmou que Lula não recebeu presente de Vorcaro, desconhece a suposta articulação de Warde e não teve outros contatos com o ex-banqueiro além de um encontro em dezembro de 2024. Segundo o governo, na ocasião, o presidente orientou que eventuais denúncias fossem analisadas tecnicamente pelo Banco Central.
Na petição, os advogados de Flávio sustentam que o suposto recebimento do presente pode configurar vantagem indevida e pedem que se apure se houve contrapartida por parte de Lula. Também apontam suspeita de que o presidente tenha usado o cargo para favorecer interesses privados de Vorcaro e do Banco Master junto ao governo federal.
“Que a apuração se faça, não para condenar antecipadamente, mas para que a República não se acostume a ser governada nos bastidores, à base de whisky e fora da agenda oficial”, escreveram os advogados na petição.



