Flávio e Lula trocam acusações éticas em primeiro debate presidencial

Confronto de duas horas pela Band enfatizou suspeitas entre candidatos mais que propostas para violência e custo de vida

Flávio e Lula trocam acusações éticas em primeiro debate presidencial
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) participaram do debate presidencial deste domingo (18) promovido pela Band em São Paulo Foto: Renato Pizzutto

Flávio Bolsonaro e Lula enfrentaram-se em debate pela Band com foco em acusações políticas. Candidatos abordaram violência, custo de vida e saúde, mas suspeitas dominaram o confronto.

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) realizaram neste domingo (18) o primeiro debate presidencial de confronto direto pela Band em São Paulo, com duração de duas horas marcado por trocas de acusações éticas e questionamentos sobre suspeitas políticas.

Problemas da vida real como violência urbana, alto custo de vida e saúde pública foram abordados pelos candidatos, mas as suspeitas que pairam sobre os dois campos políticos que disputam a presidência pela terceira vez consecutiva prevaleceram durante o confronto.

Desde o início, Flávio demonstrou disposição em seguir um roteiro treinado com a equipe de campanha. Lula, por sua vez, não saudou mediadores nem espectadores no começo do debate, deixando transparecer a pressão de quem precisa de uma inédita virada entre o primeiro e o segundo turno. Flávio demorou para cumprimentar o adversário após dar boa noite aos espectadores e jornalistas da emissora.

Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões pedidos ao ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro. O petista afirmou que parte dos recursos teria financiado o irmão de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, nos EUA. Flávio não respondeu diretamente à acusação.

Flávio citou as declarações da empresária Roberta Luchsinger em entrevista exclusiva à CNN sobre a relação com Fábio Luiz Lula da Silva, filho do candidato petista. Lula replicou afirmando que a questão era um problema da Polícia Federal e repetiu que seu filho prestará esclarecimentos aos investigadores.

Após a exagerada troca de acusações e questionamentos éticos no primeiro bloco, os temas do dia a dia voltaram a ter espaço. Flávio explicou a mudança de posição sobre a PEC que pôs fim à escala de trabalho 6×1, ainda que tivesse iniciado o bloco com uma questão sobre saída temporária de presos para reforçar estratégia de atribuir conivência com o crime ao adversário.

Lula buscou colar no adversário a imagem de quem não viveu como a maioria dos brasileiros que depende de transporte público, atendimento no SUS ou escola pública. O argumento ressaltou sua trajetória como integrante de família de migrantes nordestinos e a experiência como o brasileiro mais vezes eleito presidente.

Em momentos de tensão, os dois candidatos demonstraram humildade: Flávio admitiu que saúde foi uma das áreas frágeis da gestão do seu pai, Jair Bolsonaro, após Lula citar as mais de 700 mil mortes na pandemia. Lula reconheceu alta no custo de vida, tema mencionado pelo adversário.

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