Fundo Monetário International propõe ajustes na concepção de crédito para países em desenvolvimento enfrentando choques econômicos sucessivos

O FMI defendeu ajustes na concepção de seus programas de empréstimo, focando em menos reformas, porém mais profundas, para refletir desafios de economia global
O Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu, nesta quinta-feira (24), ajustes específicos na concepção e na implementação de seus programas de empréstimo, com foco em menos reformas, porém mais profundas, para refletir os desafios de uma economia global mais suscetível a choques.
Grupos da sociedade civil manifestaram preocupação de que a revisão possa levar países em desenvolvimento a enfrentar medidas de austeridade mais rigorosas, em um momento em que já estão sobrecarregados com o aumento da dívida pública, custos crescentes de endividamento, quedas acentuadas na ajuda oficial ao desenvolvimento e choques sistêmicos sucessivos.
O FMI afirmou que as recomendações incentivam ajustes fiscais mais antecipados e sustentados — ou cortes orçamentários —, pois estão associados a maiores chances de sucesso dos programas. A instituição ressaltou que essa antecipação deve ocorrer apenas na medida do possível, acompanhada de medidas realistas para impulsionar o crescimento e gastos sociais adequados para proteger os vulneráveis.
“O quadro, em linhas gerais, está adequado. Mas, como o contexto está mudando e há tensões sociais em vários países-membros, precisamos garantir que nossas reformas sejam adequadamente adaptadas. Isso significa um foco claro em menos reformas, porém mais profundas.”
Segundo Rishi Goyal, vice-diretor do departamento de estratégia, políticas e revisão do FMI, a instituição precisa adequar suas recomendações aos novos contextos globais diante de crescentes tensões sociais nos países-membros.
A análise do FMI sobre a estrutura e as condições dos programas — a terceira desde que as diretrizes de 2002 foram adotadas — avaliou o desempenho dos programas apoiados pelo fundo de janeiro de 2018 a dezembro de 2024. O período incluiu a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China durante o primeiro mandato do presidente norte-americano Donald Trump, a pandemia de Covid-19 e a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.
O Conselho Executivo do FMI endossou as recomendações, que apelam por reformas mais equilibradas e adequadas aos contextos específicos dos países em desenvolvimento.



