Liquidação de papéis franceses elevou custos de financiamento após protestos estudantis e incerteza política sobre eleição presidencial de 2027

Liquidação de títulos públicos franceses elevou custos de financiamento a níveis não vistos em quase 25 anos, com investidores perdendo confiança na capacidade do país controlar a dívida crescente.
A França vê investidores perderem confiança na capacidade de a segunda maior economia da União Europeia controlar uma dívida crescente e cada vez mais cara, após liquidação de títulos públicos elevarem custos de financiamento a níveis não vistos em quase 25 anos.
Na sexta-feira, o prêmio exigido pelos investidores para comprar títulos franceses de 10 anos em vez dos italianos atingiu um recorde, segundo informações de mercado.
A crise é agravada por protestos estudantis em todo o país, com episódios de violência e reivindicações de € 10 bilhões (R$ 55 bilhões) para investimentos na educação. O deputado da esquerda radical Louis Boyard apresentou críticas ao governo durante debate na Assembleia Nacional. “Vocês são incapazes de entender o que os jovens querem”, gritou o parlamentar de 26 anos ao ministro da Educação, Edouard Geffray. “Para resolver tudo isso, vocês vão ter que abrir o talão de cheques.”
No entanto, a França dificilmente pode arcar com os valores solicitados, especialmente após atravessar várias crises recentes que impulsionaram gastos públicos. A pressão sobre as contas públicas se concentra atualmente nas negociações do orçamento, mas deve se estender até a eleição presidencial de 2027 e além.
Os investidores acompanham com apreensão os principais candidatos presidenciais. Um deles defende metas fiscais consideradas pouco críveis por analistas, enquanto outro aventou a ideia extrema de cancelar dívidas.
Michel Sapin, ministro das Finanças da França nos anos 1990 e novamente entre 2014 e 2017, avaliou o contexto: “Há uma combinação de atividade econômica fraca, gravidade da crise orçamentária e preocupações com a eleição presidencial. A incerteza política alimenta e amplifica preocupações reais.”
O cenário revive temores da crise da dívida soberana europeia, que afetou especialmente países como Portugal, Irlanda, Itália e Grécia entre 2010 e 2015. A ausência de uma saída clara alimenta especulação sobre como a crise francesa será resolvida nos próximos meses.



