Desoneração anunciada em outubro pode aliviar inflação em até 0,14 ponto percentual, mas petróleo em alta pressiona preços nos postos

Gasolina ficou 0,92% mais cara no IPCA-15 divulgado nesta sexta-feira (23). Redução de impostos federais anunciada em outubro ainda não teve repasse completo aos postos.
A gasolina ficou 0,92% mais cara no IPCA-15 divulgado nesta sexta-feira (23). O aumento ocorreu apesar da redução de impostos federais sobre o combustível.
A prévia da inflação avançou 0,32%, abaixo dos 0,43% esperados pelos analistas ouvidos pela Reuters. Energia elétrica e passagens aéreas ajudaram a conter o índice.
Em outubro, a desoneração passou de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro de gasolina A, antes da mistura com etanol. De acordo com André Braz, economista do FGV/Ibre, o reforço equivale a cerca de R$ 0,18 por litro vendido nos postos.
“Com repasse integral, teria potencial para aliviar a inflação em aproximadamente 0,14 ponto percentual”, explica Braz. De acordo com Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, é possível haver alívio em relação a um cenário sem benefício, ainda que o consumidor pague mais do que antes.
O efeito da desoneração não pode ser tratado como já incorporado ao IPCA-15. A coleta ocorreu entre 16 de setembro e 14 de outubro, e a ampliação foi anunciada no dia 9 de outubro. Estoques e datas de reposição influenciam a chegada da mudança aos postos.
“Minha avaliação é que a janela limita o efeito neste resultado, mas não permite dizer qual parcela apareceu”, afirma Braz. Parte do repasse ainda poderá alcançar os próximos indicadores.
No cenário internacional, os contratos futuros de petróleo tiveram forte alta nesta sexta-feira (23), com o Brent ultrapassando US$ 116 o barril e atingindo o maior patamar em seis meses. Como o movimento veio depois da coleta, o risco fica para os próximos indicadores.
“Não existe uma relação automática entre a variação do Brent e o reajuste na bomba”, explica Braz. Além do petróleo, entram na conta câmbio, preços internacionais da gasolina, custos de importação e decisões das refinarias.
A ampliação anunciada pelo governo vale por 30 dias, com possibilidade de prorrogação. O encerramento da eleição não determina automaticamente a volta dos impostos aos níveis anteriores.



