Preço do diesel disparou 78% nos EUA e 39% na Europa em nove meses, enquanto conflitos no Oriente Médio reduzem oferta de derivados

A escassez de combustíveis refinados expõe por que a transição energética também é uma questão fiscal, poucos dias antes da COP31
A menos de um mês da COP31, a disparidade entre os preços do petróleo bruto e dos derivados refinados revela os desafios fiscais da transição energética. O petróleo Brent encerrou terça-feira (13) a US$ 105,69 por barril, queda de 0,9%, segundo a Reuters. Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel ao consumidor subiu 78% entre 5 de janeiro e 5 de outubro, passando de US$ 3,477 para US$ 6,199 por galão, conforme a Administração de Informação de Energia (EIA). Na União Europeia, o aumento foi de 39%, de € 1,54 para € 2,15 por litro, de acordo com o boletim semanal da Comissão Europeia.
A expectativa de mais diesel russo aliviou a pressão sobre o petróleo bruto, mas não resolveu a escassez de combustíveis refinados. Os preços variam conforme tributos e estruturas de mercado distintas em cada região. Impostos fixos ajudam a amortecer a alta percentual europeia; os dados não medem subsídios específicos.
Os conflitos no Oriente Médio criam gargalos na produção de derivados. Na guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, oleodutos sauditas e emiradenses ajudaram a recompor exportações de petróleo bruto. A consultoria Kpler estima que 40% do volume exportado pelo Golfo, excluído o Irã, já contorna o Estreito de Ormuz, ante 17% antes do conflito. O problema concentra-se nos derivados: o fluxo pelo estreito caiu de 3,6 milhões para cerca de 677 mil barris diários, segundo dados da Kpler, na comparação com o período anterior à guerra.
A guerra entre Rússia e Ucrânia amplia essa distorção. Washington flexibilizou restrições ao diesel russo para aliviar a oferta global. Trump anunciou um cessar-fogo para ataques a instalações energéticas, mas Kiev relatou novos bombardeios. O abastecimento domina as decisões geopolíticas.
Nesse cenário de pressão sobre os combustíveis, a União Europeia propõe acelerar a implementação das metas nacionais de redução de emissões. Segundo minuta vista pela Reuters, o bloco não prevê novos compromissos de financiamento climático na COP31. A dificuldade é cobrar investimentos adicionais de economias com crédito mais caro sem oferecer novos meios para viabilizá-los. A COP29 estabeleceu a mobilização de ao menos US$ 300 bilhões anuais até 2035, sob liderança dos países desenvolvidos. O acordo também prevê esforços para ampliar o financiamento climático aos países em desenvolvimento para US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, incluindo recursos públicos e privados. Para adaptação, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estima necessidades de US$ 310 bilhões por ano em 2035, enquanto o financiamento público internacional somou apenas US$ 26 bilhões em 2023.



