Guerras do petróleo expõem conta fiscal da transição energética na véspera da COP31

Preço do diesel disparou 78% nos EUA e 39% na Europa em nove meses, enquanto conflitos no Oriente Médio reduzem oferta de derivados

Guerras do petróleo expõem conta fiscal da transição energética na véspera da COP31
Bomba de diesel em posto de combustível. Foto: Reuters/Eric Gaillard/Arquivo — Foto: Bomba de diesel em posto de combustível  • 12/10/2018 – REUTERS/Eric Gaillard/Arquivo

A escassez de combustíveis refinados expõe por que a transição energética também é uma questão fiscal, poucos dias antes da COP31

A menos de um mês da COP31, a disparidade entre os preços do petróleo bruto e dos derivados refinados revela os desafios fiscais da transição energética. O petróleo Brent encerrou terça-feira (13) a US$ 105,69 por barril, queda de 0,9%, segundo a Reuters. Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel ao consumidor subiu 78% entre 5 de janeiro e 5 de outubro, passando de US$ 3,477 para US$ 6,199 por galão, conforme a Administração de Informação de Energia (EIA). Na União Europeia, o aumento foi de 39%, de € 1,54 para € 2,15 por litro, de acordo com o boletim semanal da Comissão Europeia.

A expectativa de mais diesel russo aliviou a pressão sobre o petróleo bruto, mas não resolveu a escassez de combustíveis refinados. Os preços variam conforme tributos e estruturas de mercado distintas em cada região. Impostos fixos ajudam a amortecer a alta percentual europeia; os dados não medem subsídios específicos.

Os conflitos no Oriente Médio criam gargalos na produção de derivados. Na guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, oleodutos sauditas e emiradenses ajudaram a recompor exportações de petróleo bruto. A consultoria Kpler estima que 40% do volume exportado pelo Golfo, excluído o Irã, já contorna o Estreito de Ormuz, ante 17% antes do conflito. O problema concentra-se nos derivados: o fluxo pelo estreito caiu de 3,6 milhões para cerca de 677 mil barris diários, segundo dados da Kpler, na comparação com o período anterior à guerra.

A guerra entre Rússia e Ucrânia amplia essa distorção. Washington flexibilizou restrições ao diesel russo para aliviar a oferta global. Trump anunciou um cessar-fogo para ataques a instalações energéticas, mas Kiev relatou novos bombardeios. O abastecimento domina as decisões geopolíticas.

Nesse cenário de pressão sobre os combustíveis, a União Europeia propõe acelerar a implementação das metas nacionais de redução de emissões. Segundo minuta vista pela Reuters, o bloco não prevê novos compromissos de financiamento climático na COP31. A dificuldade é cobrar investimentos adicionais de economias com crédito mais caro sem oferecer novos meios para viabilizá-los. A COP29 estabeleceu a mobilização de ao menos US$ 300 bilhões anuais até 2035, sob liderança dos países desenvolvidos. O acordo também prevê esforços para ampliar o financiamento climático aos países em desenvolvimento para US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, incluindo recursos públicos e privados. Para adaptação, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estima necessidades de US$ 310 bilhões por ano em 2035, enquanto o financiamento público internacional somou apenas US$ 26 bilhões em 2023.

Continue acompanhando nosso portal para mais notícias!

plugins premium WordPress