Em debate, governador de SP critica marco fiscal do governo Lula enquanto petista compara plano econômico da oposição ao modelo libertário argentino.

Durante debate nesta terça-feira (29), Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) discutiram gestão fiscal do governo federal.
Em bloco de tema livre do debate desta terça-feira (29), Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) entraram em embate sobre o manejo das contas públicas do governo federal.
O governador de São Paulo questionou o novo marco fiscal da gestão Lula, taxando o arcabouço de “frouxo” e apontando que seus limites foram violados “logo na largada”. Segundo Tarcísio, a questão fiscal é delicada e está refletida na taxa de juros.
“Temos uma questão fiscal delicada. Isso está refletindo na taxa de juros. A gente poderia classificar isso como negacionismo fiscal”, argumentou o candidato do Republicanos.
Haddad retrucou afirmando que a oposição buscaria barrar a reforma tributária promulgada no final de 2023 em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) para o Palácio do Planalto. O ex-ministro da Fazenda questionou o atual governador de São Paulo sobre querer “o Milei aqui”, fazendo referência ao presidente da Argentina, Javier Milei.
Milei é um político libertário cuja campanha focou no controle da hiperinflação na Argentina através de cortes nos gastos públicos. O mercado financeiro argentino viu o movimento como positivo, acompanhando a recuperação dos indicadores macroeconômicos, refletidos no arrefecimento da inflação e controle do cenário fiscal. Porém, os cortes de subsídios e programas sociais elevaram a pobreza e o desemprego.
“Vocês forneciam osso e agora querem carne de burro aqui no Brasil. Esse é o plano econômico de vocês”, disse Haddad, fazendo alusão a imagens que circularam em 2021 de pessoas recolhendo carcaças bovinas no Rio de Janeiro.
Tarcísio respondeu apontando que “Milei pegou uma situação muito complexa lá e está indo bem”. O candidato do Republicanos afirmou querer reduzir a despesa primária e associou o descontrole dos gastos públicos aos juros elevados.
“O que eu queria, na verdade, é que a despesa primária fosse menor. A gente está vendo a economia patinando, as pessoas endividadas e as empresas quebrando”, apontou Tarcísio.
Após cinco cortes consecutivos pelo Banco Central, a taxa básica Selic está no patamar de 13,75%. O recorde de inadimplência do país se renovou em agosto, segundo dados da própria autoridade monetária.



