Ibovespa bate recorde histórico com pesquisas eleitorais e ignora inflação

Bolsa acumula valorização de R$ 400 bilhões em um dia. IPCA sobe 0,82% em setembro, puxado pela energia elétrica.

Ibovespa bate recorde histórico com pesquisas eleitorais e ignora inflação
Painel do Ibovespa. Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images — Foto: Painel do Ibovespa  • Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Ibovespa atinge máximas históricas na sexta-feira (9) sustentado por pesquisas eleitorais. IPCA registra alta de 0,82% em setembro.

O Ibovespa operava nas máximas históricas na sexta-feira (9), sustentado por pesquisas eleitorais divulgadas na véspera sobre o segundo turno da disputa presidencial, que apontaram Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O índice acumulou valorização superior a R$ 400 bilhões em um único dia.

O volume médio negociado na B3 saltou de R$ 18 bilhões durante o período recente para R$ 50 bilhões. A perspectiva de alternância de poder gerou entrada de capitais, queda do dólar e forte valorização das ações.

O desempenho expressivo da Bolsa ocorreu apesar da divulgação de dados de inflação pela manhã. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,82% em setembro, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O grupo de habitação, onde se concentra a conta de energia, foi o maior responsável pela alta do IPCA, com elevação média de quase 8% na energia, contribuindo com 0,32 ponto percentual do total. O aumento foi puxado principalmente pela alta da energia elétrica com o fim do bônus de Itaipu, benefício distribuído uma vez por ano nas contas de energia residencial para consumidores de até 340 quilowatts, que havia provocado queda artificial nos preços em agosto.

O grupo de transportes registrou alta de 0,89%, impulsionado pela gasolina, etanol e passagens aéreas. O grupo de alimentação e bebidas também voltou a subir após três meses em queda, com destaque para batata, cebola e tomate. Ao todo, os nove grupos pesquisados pelo IBGE apresentaram alta no período.

Apesar do resultado da inflação, o mercado continua precificando expectativas para 2027. A queda do dólar — que operava em recuo de 0,8%, cotado a R$ 4,98 — foi apontada como fator relevante no controle da inflação e na abertura de espaço para novos cortes na taxa Selic. De acordo com a expectativa do mercado, a Selic será reduzida em 0,25 ponto percentual, encerrando o ano em 13,25%.

A equipe econômica de Flávio Bolsonaro propõe um corte de R$ 200 bilhões nos gastos públicos, equivalente a 1,5% do PIB, envolvendo redução de ministérios e cargos.

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