Indonésia investiga fechamento de igreja após ameaça armada em culto

Cerca de 40 cristãos foram interrompidos por homem com facão em vila de Java no dia 20 de setembro

Indonésia investiga fechamento de igreja após ameaça armada em culto
Culto foi interrompido na vila de Mekarsari, em Java, após invasão de homem armado. Foto: Reprodução/YouTube/Tribunnews — O muçulmano interrompeu o culto com cerca de 40 cristãos no local. (Foto: Reprodução/YouTube/Tribunnews)

Ministério de Assuntos Religiosos da Indonésia classifica invasão e fechamento de casa de oração como atos criminosos; organizações internacionais cobram prosseguimento da investigação

Um grupo de cerca de 40 cristãos foi forçado a interromper um culto na vila de Mekarsari, na ilha de Java, após ser confrontado por um homem armado com um facão em 20 de setembro.

Segundo relatos, quatro muçulmanos invadiram o local de reunião da Igreja Cristã Protestante Indonésia (GKPI). O suspeito, identificado como Aji Cahyono Putra, de 29 anos, ordenou o encerramento das atividades sob ameaças. Os fiéis deixaram o recinto imediatamente por segurança.

“Nunca mais. Não repitam isso. Fechem agora e para sempre. Se vocês não fecharem isso, haverá derramamento de sangue lá dentro. Por Alá, não tenho medo de morrer,” disparou o agressor.

Um processo de mediação ocorreu na mesma noite, com o autor do ataque pedindo desculpas e alegando que portava o facão por motivos laborais. A administração de Tangerang, porém, determinou o fechamento oficial da casa de oração sob o argumento de que o espaço seria insuficiente para a congregação.

O Ministério de Assuntos Religiosos da Indonésia classificou a interrupção como ato criminoso. Segundo o representante da pasta, Gugun Gumilar, “ninguém tem o direito de proibir os cultos” e perturbar o culto das pessoas configura ato criminoso previsto na legislação da KUHP.

“Lamentamos profundamente as ações violentas dos moradores que portavam armas brancas,” afirmou Gumilar.

Organizações como o Instituto Setara para a Democracia e a Paz e a Anistia Internacional na Indonésia agora pressionam para que o caso não seja encerrado apenas com pedidos de desculpas, alertando que a impunidade pode incentivar novos episódios de intolerância.

Para a Comissão Nacional de Direitos Humanos, o episódio configura perseguição religiosa inaceitável. Segundo sua presidente, Anis Hidayah, essas ações se enquadram em perseguição que não pode ser justificada, porque o direito ao culto é garantido pela Constituição. “É claro que a violência por qualquer motivo não pode ser justificada e não pode ser tolerada, incluindo questões de autorização – essas são questões administrativas,” concluiu.

Até o momento, ao menos oito testemunhas prestaram depoimentos às autoridades locais.

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