Pesquisa inédita mostra que violência entre alunos é o principal motivo da insegurança nas instituições de ensino

Sete em cada dez brasileiros avaliaram as escolas como pouco ou nada seguras, segundo levantamento da Infinis em parceria com a Quaest divulgado nesta quarta-feira.
Sete em cada dez brasileiros consideram as escolas pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes, segundo pesquisa inédita da Infinis em parceria com a Quaest, divulgada nesta quarta-feira (30).
O levantamento mostra que 73% dos entrevistados têm essa percepção, enquanto 26% consideram as escolas seguras. No Sudeste, região onde o índice é mais alto, 76% avaliam as instituições de ensino como pouco ou nada seguras.
Entre aqueles que consideram o ambiente escolar inseguro, 70% apontam a violência entre os próprios alunos como um dos motivos. Outros 18% mencionam tanto a violência entre estudantes quanto aquela praticada por professores ou outros profissionais, enquanto 8% citam apenas a violência cometida por profissionais contra alunos.
Para Márcia Kalvon, diretora-executiva da Infinis, a dimensão do problema exige que a discussão sobre violência escolar vá além da resposta a episódios depois que eles acontecem. “A escola é um dos ambientes mais importantes de promoção da saúde, formação de vínculos e construção de identidade de crianças e adolescentes. É onde eles convivem, constroem vínculos, desenvolvem sua identidade e passam uma parte significativa de sua formação.”
Segundo a diretora, prevenção e identificação precoce são fundamentais. “Enfrentar a violência nas escolas é mais complexo do que simplesmente responder a episódios. É preciso fortalecer a prevenção, a identificação precoce e a capacidade de cuidado.”
A pesquisa aponta caminhos considerados importantes pela população. 46% dos brasileiros defendem o reforço da capacidade das escolas e das famílias de reconhecer e acompanhar situações de violência. Dentro desse grupo, 23% defendem uma maior participação das famílias e outros 23% apontam a necessidade de professores preparados para identificar os casos.
Para Márcia Kalvon, a escola não pode ser analisada isoladamente. “A articulação entre educação, saúde, famílias e demais integrantes da rede de proteção é essencial para que situações de violência sejam identificadas e acompanhadas de maneira adequada.”
A diretora afirma ainda que políticas públicas e marcos legais são importantes, mas que os resultados dependem da capacidade de implementação. “Políticas públicas e marcos são fundamentais, e seus impactos dependem também da capacidade de articulação e execução na ponta.”



