Última ação foi em julho; crise interna no STF entre ministros paralisou inquérito sobre fraudes

Caso sobre fraudes no Banco Master e condutas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro completa nesta sexta-feira três meses sem novas operações da Polícia Federal.
As investigações sobre as fraudes do Banco Master e as condutas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro completam nesta sexta-feira (9) três meses sem novas operações realizadas pela Polícia Federal.
A última vez que a corporação foi às ruas para cumprir mandados de busca e apreensão, por determinação do ministro André Mendonça, responsável pelo caso no Supremo Tribunal Federal, foi em 9 de julho. Naquele dia, a operação apurava indícios de atuação coordenada em redes sociais voltada a comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central do Brasil. Foi a décima fase da Operação Compliance Zero, que teve início em novembro do ano passado.
Desde então, a investigação mudou de velocidade e não houve novas operações. A deflagração da crise no STF foi determinante para essa mudança acontecer.
Em 1º de setembro, André Mendonça tornou público o relatório da Polícia Federal que apontava uma suposta relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Em resposta à iniciativa do colega, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news com base em um relatório elaborado pela PF que apontava usurpação da direção de investigações do Master e do INSS, condução irregular das tratativas de delação premiada e direcionamento de investigação contra o ministro.
A partir daí, deu-se início a uma crise interna no tribunal que se intensificou. Pouco mais de um mês depois, ainda não foi superada.
Para tentar arbitrar o embate entre os ministros, Edson Fachin tirou Mendonça do inquérito das fake news e retirou Moraes da relatoria do processo e de outros a ele vinculados. Fachin transferiu para um procedimento sob sua responsabilidade as menções aos dois ministros trazidas pela PF.
Fachin determinou dias depois que Mendonça enviasse a seu gabinete os processos do Master e do INSS, ambos relatados pelo ministro. A remessa de todos os processos relacionados às fraudes no INSS e ao caso Master ao gabinete de Fachin abre caminho para que o presidente do STF determine a troca da relatoria das duas investigações.
Pessoas próximas ao ministro Edson Fachin afirmam, reservadamente, que ele deve promover a troca na relatoria do caso Master a partir de uma análise do material. Essas fontes sustentam não estar descartada a possibilidade de o próprio Fachin assumir a condução do processo.
Ministros do tribunal e pessoas próximas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro dizem, sob condição de anonimato, acreditar que Fachin passará a relatar a investigação do Master.



