Relatório do Soufan Center documenta 12 casos de assassinatos encomendados a grupos de crime organizado nos últimos dez anos

Irã, Rússia e Índia terceirizam assassinatos para crime organizado visando burlar mecanismos de contraterrorismo e dificultar atribuição dos crimes aos governos
Regimes repressores como Irã, Rússia e Índia terceirizam assassinatos para o crime organizado visando burlar mecanismos tradicionais de contraterrorismo, segundo relatório do Soufan Center. A estratégia utiliza redes criminais transnacionais para executar sabotagens e execuções encobertas contra dissidentes no exterior.
Ao contratar máfias e gangues que agem pelo lucro em vez de motivações ideológicas, os regimes autoritários conseguem uma camada extra de negação, dificultando a atribuição direta dos crimes aos governos. Essa mudança representa uma adaptação ao cenário global de vigilância pós-11 de setembro, permitindo que países como Irã e Rússia ampliem suas capacidades de operação encoberta sem usar exclusivamente seus próprios serviços de inteligência.
De acordo com o Soufan Center, Irã, Rússia e Índia estiveram envolvidos em pelo menos 12 casos ou tentativas de assassinato nos últimos dez anos usando redes criminosas. O Irã utilizou organizações como Zindashti e Foxtrot para caçar dissidentes na Europa e na América do Norte.
A Índia enfrentou crise diplomática severa com o Canadá após ser acusada de participar da morte do líder sique Hardeep Singh Nijjar em 2023. O crime contou com o apoio da gangue liderada pelo gângster Lawrence Bishnoi, demonstrando que até democracias em retrocesso utilizam essa tática.
Na América Latina, a cúpula do governo chavista da Venezuela, especificamente sob comando de Diosdado Cabello, teria negociado com a organização criminosa Tren de Aragua para sequestrar e matar o ex-tenente Ronald Ojeda em fevereiro de 2024, segundo investigações da promotoria chilena. Ojeda era um opositor que havia fugido para o Chile após escapar da repressão na Venezuela.
O grande desafio investigativo reside no fato de que as ferramentas atuais de segurança estão separadas em jurisdições distintas, dificultando a coordenação internacional necessária para investigar e punir esses crimes que envolvem múltiplos países e organizações criminosas transnacionais.


