Presidente do Tribunal Superior Eleitoral convoca advogados dos dois candidatos nesta terça para explicar derrubada do canal Exército do Lula

O presidente do TSE recebe advogados das campanhas de Flávio e Lula nesta terça-feira. Encontro ocorre após sequência de decisões contraditórias da Corte sobre o canal Exército do Lula.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, recebe nesta terça-feira (13) advogados das campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A reunião foi convocada após uma sequência de decisões da Corte, algumas contraditórias entre si, tomadas a pedido dos dois lados.
O encontro marca a segunda semana de campanha para o segundo turno, período marcado por nova onda de pedidos à Justiça Eleitoral. O novo foco de desgaste na Corte Eleitoral é o canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A campanha de Flávio questiona no Tribunal, em diferentes ações, a existência do canal e o conteúdo divulgado nele.
O caso opôs Kassio e o corregedor da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, no fim de semana. No sábado (10), Cueva pediu mais informações antes de decidir sobre a suspensão, por considerar que a campanha de Flávio não havia instruído bem o pedido. Já no domingo (11), em processo administrativo, Kassio mandou o WhatsApp tirar o canal do ar.
Poucas horas depois, Cueva suspendeu a ordem do presidente e determinou o retorno imediato e provisório do canal. Ao justificar a decisão, o corregedor afirmou que a suspensão integral foi determinada antes da conclusão das diligências para regularizar a instrução do processo. “É necessário restabelecer o funcionamento até que o Plenário desta Corte examine a controvérsia”, afirmou.
A atitude de Kassio provocou desconforto entre integrantes do Tribunal. Ministros relatam clima de “incômodo e de desconfiança”. Para eles, o presidente atropelou o andamento do caso, que já estava sob relatoria de Cueva e com prazo aberto para manifestação das partes. A avaliação reservada é que o episódio gera insegurança jurídica.
Um grupo na Justiça Eleitoral também tem criticado a postura de Nunes Marques no segundo turno. A avaliação é de que ele tem beneficiado Flávio. A expectativa é que o ministro use o encontro desta terça para explicar a derrubada do canal e reafirmar a imparcialidade da Corte.
Lula e Flávio reclamam, ao longo da campanha, de interferência do Judiciário na disputa. A palavra final sobre o canal caberá ao plenário do TSE.



