Em três blocos de debate mais civilizado, candidatos abordaram custo de vida, infraestrutura e políticas fiscais antes de trocarem ataques pessoais

Lula e Flávio Bolsonaro mantiveram tom duro nos últimos minutos do debate, com referências a personagens da crônica política-policial da campanha do segundo turno.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações duras nos últimos minutos do debate presidencial transmitido pela Rede Globo nesta quinta-feira. Os três blocos iniciais mantiveram tom mais civilizado, com regras mais rígidas que permitiram discussão sobre temas do interesse do eleitor, ainda que nem sempre de forma clara.
Os candidatos abordaram custo de vida, obras de infraestrutura, políticas fiscais e correção de salário mínimo, aposentadorias e pensões. Temas como reforma tributária, marco legal do saneamento e Plano Safra foram mencionados, mas com linguagem nem sempre compreensível para eleitores menos familiarizados com a terminologia técnica.
Lula tentou associar Flávio à falta de conhecimento sobre o país, sugerindo que o candidato do PL apenas decorava soluções sem vivenciar a realidade das regiões brasileiras. Flávio respondeu listando governadores aliados eleitos e questões locais, como as enchentes no Rio Grande do Sul e o déficit de saneamento em Belém.
O candidato petista utilizou terreno familiar ao discorrer sobre avanços sociais em mandatos do PT desde 2003 e ao constranger o adversário com pontos fracos da gestão Jair Bolsonaro, como o enfrentamento da pandemia.
A tensão escalou quando Lula pediu direito de resposta após Flávio mencionar a cobrança de impostos com os “nove dedos das mãos” do presidente. Indignado, o petista fez discurso firme ao afirmar ter sofrido acidente de trabalho quando menor de idade e buscou empatia do espectador.
Ao chamar o adversário de “miliciano”, Lula concedeu direito de resposta a Flávio, que vestiu figurino de moderação, disse querer pedir desculpas sinceras e mudou de assunto.
Com o avanço do debate, Lula demonstrou mais impaciência que Flávio. O petista criticou o tema “ensino integral” proposto pela emissora, argumentando que queria tratar educação de forma mais ampla.
Nos minutos finais, ambos abriram caixa de ferramentas com acusações mais duras, com referências ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outros personagens que marcaram a crônica política-policial da campanha do segundo turno.



