Governo busca acordo com presidente do Senado para preencher cadeira deixada por Luís Roberto Barroso. Simone Tebet é cotada para o Tribunal de Contas.

Governo tenta indicar Rodrigo Pacheco ao Supremo Tribunal Federal e oferece sua vaga no TCU ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O Palácio do Planalto negocia com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a indicação de Rodrigo Pacheco a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Como contrapartida, o governo ofereceria a vaga de Pacheco no Tribunal de Contas da União (TCU) para o próprio Alcolumbre ou seu indicado.
O nome preferido do governo para ocupar a cadeira no TCU é o da ex-ministra Simone Tebet (PSB), derrotada na disputa pelo Senado por São Paulo. Embora filiada ao PSB, Tebet seria considerada uma indicação do governo devido ao seu bom trânsito com o Planalto e partidos de centro.
Até o momento, não há acordo fechado sobre nenhuma das duas indicações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve decidir sobre o preenchimento da vaga no Supremo apenas após as eleições. A cadeira seria deixada por Luís Roberto Barroso.
Uma ala do STF próxima aos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes defende que Lula indique o sucessor de Barroso mesmo se o presidente perder a eleição para Flávio Bolsonaro (PL). Segundo essa avaliação, fazer a indicação antes da troca de governo e da posse do novo Senado evitaria que a cadeira fosse destinada a um nome ligado ao bolsonarismo.
Pacheco é visto como alguém apto a dialogar com o Congresso e, na visão de aliados, capaz de diminuir a pressão sobre o STF. A indicação agradaria a Alcolumbre, principal defensor de Pacheco desde a tentativa frustrada de indicar Jorge Messias. O presidente do Senado trabalhou para levar o ex-senador ao Supremo e reagiu à decisão de Lula de escolher o AGU para a Corte. Atualmente, o nome de Messias é descartado no Planalto como opção à vaga, e até sua permanência na AGU é questionada internamente no governo.
Pacheco foi indicado para a vaga no TCU com a saída de Bruno Dantas, tendo tomado posse na Corte de Contas no fim de setembro. Uma possível transferência para o Supremo devolveria ao Senado o poder de indicar um novo ministro para o Tribunal. Para Alcolumbre, porém, a vaga pode funcionar como moeda de negociação com a direita e com partidos de centro em sua tentativa de permanecer no comando do Senado em 2027. A bancada do PL será a maior da próxima legislatura, exigindo que Alcolumbre construa uma composição ampla para manter influência na Casa.



