Presidente evita apresentar propostas de futuro e se concentra em comparar trajetórias e evocar governo Bolsonaro

Lula concentrou sua estratégia em apontar fragilidades do adversário Flávio Bolsonaro e traçar comparativos de trajetórias, mas evitou apresentar propostas futuras para o eleitorado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou o debate da TV Globo na noite de sexta-feira (23) para apontar fragilidades do adversário Flávio Bolsonaro (PL) e traçar comparativos de trajetórias, porém evitou apresentar propostas de futuro ao eleitorado.
Sem gravata e mais à vontade que em debate anterior, realizado na semana anterior, Lula partiu para o ataque, taxando Flávio de aluno que pratica “decoreba”, buscando colocar o adversário na defensiva. O presidente encurralou o senador ao evocar a memória do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia e o caso Ana Clara.
Em algumas oportunidades, Lula perdeu chances de aprofundar ataques contra o adversário em réplicas e tréplicas. A cautela e a preocupação em não errar ficaram evidenciadas durante o debate. Conhecido pelos improvisos, Lula recorreu às fichas de consulta, lendo perguntas e respostas em vários momentos. O presidente também teve mais dificuldade com o controle do tempo que o adversário.
Flávio apostou em segurança como tema central de suas falas. Questionado sobre o caso Ana Clara, quando a mãe da criança estava na plateia, Flávio defendeu o Policial Militar acusado de matar a menina em 2021, em Niterói, e trocou o nome da mãe pelo da filha. “Tenho a confiança de que não foi esse policial”, afirmou. Lula não explorou o erro de Flávio naquele momento.
Flávio buscou explorar um erro de Lula ao trocar “milícia” por “polícia” em uma frase. O senador teve pelo menos dois momentos de reconhecimento de erro no debate. Reconheceu que votou contra o aumento da licença-maternidade em 2009 e se desculpou após fazer referência capacitista ao chamar Lula pelo apelido “nove dedos”.
Lula embalou reação para retomar conexões com a classe trabalhadora e sua origem sindical. “Se tem alguém aqui que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu, trabalhando à noite, quando não podia trabalhar. Não vou permitir que miliciano me chame de nove dedos”, afirmou o presidente.
A estratégia de Lula concentrou-se em apontar vulnerabilidades do adversário para governar, em vez de apresentar um plano articulado de futuro aos eleitores.



