Lula usa quebra de sigilo e Bolsa Família para pressionar Flávio na reta final

Campanha petista explora temas sensíveis para reverter desvantagem nas urnas no segundo turno eleitoral

Lula usa quebra de sigilo e Bolsa Família para pressionar Flávio na reta final
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) Foto: Ricardo Stuckert/Carlos Moura/Agência Senado

Campanha de Lula aposta na abertura de sigilos bancário e telefônico e em declarações antigas de Flávio sobre Bolsa Família para pressionar adversário.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta na abertura de sigilos bancário e telefônico e no resgate de falas antigas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o Bolsa Família para pressionar o adversário na reta final da eleição.

A ofensiva busca confrontar o discurso anticorrupção do candidato do PL e colocar em dúvida sua promessa de ajuste fiscal sem perda de benefícios sociais. Sem uma estratégia consolidada que garanta virada no segundo turno, o PT aposta em emparedar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que saiu à frente nas urnas, em dois temas sensíveis para o eleitorado.

Os temas passaram a ser explorados pela militância petista nas redes sociais nesta segunda-feira (19). As expressões “Lula abriu o sigilo, Flávio arregou” e “Bolsa Família só com Lula” ficaram entre os assuntos mais citados, seguindo orientações do deputado federal André Janones (Rede-MG) no canal “Exército do Lula” no WhatsApp.

No caso dos sigilos, Lula mantém cobrança iniciada no debate da Band, no domingo (18), quando propôs que os dois candidatos, que trocaram acusações de corrupção, abrissem seus dados e os de suas famílias antes da eleição. No confronto na TV, Flávio questionou a relação da lobista Roberta Luchsinger com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Os dois são investigados em três inquéritos sob suspeita de corrupção e tráfico de influência.

O presidente reagiu pedindo que o senador explicasse o destino de R$ 134 milhões pedidos por ele ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O candidato do PL é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no inquérito que apura o caso.

“Eu abro da minha família e você abre da sua”, disse o presidente no debate. Flávio não respondeu na hora, mas, ao fim do programa, ironizou o desafio ao mencionar o sigilo telefônico. “Ele propõe a abertura, a quebra do sigilo telefônico, quando ele não tem celular”, afirmou, dizendo que seus bens estão declarados à Receita Federal. A campanha de Lula viu na reação do senador uma oportunidade de pressão e intensificou os ataques nos dias seguintes.

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