Reeleição do petista mantém Brasil, Canadá e México sob governos de esquerda. Congresso eleito é mais à direita que o anterior.

Lula (PT) derrotou Flávio (PL) neste domingo e interrompe onda conservadora que avançava pela América do Sul nos últimos dois anos.
Lula (PT) venceu a eleição presidencial neste domingo (25), interrompendo a onda conservadora que avançava pela América do Sul nos últimos dois anos. A reeleição do petista derrotou Flávio (PL) e mantém Brasil, Canadá e México sob governos de esquerda — as três maiores economias das Américas depois dos Estados Unidos.
Nos últimos dois anos, período que coincidiu com Donald Trump se elegendo para retornar ao poder nos EUA, a direita havia avançado na região. Daniel Noboa foi reeleito no Equador. Abelardo de la Espriella, José Antonio Kast e Rodrigo Paz chegaram à presidência da Colômbia, Chile e Bolívia. Keiko recolocou a família Fujimori no poder no Peru.
Segundo Christopher Garman, diretor da Eurasia Group para as Américas, a eleição coloca a relação bilateral entre Brasília e Washington em um “território mais perigoso”, mas com limites do lado americano. “O Brasil detém um estoque significante de investimentos diretos de empresas americanas – e essas empresas também representam seus interesses econômicos em Washington”, afirmou ao portal.
Garman destacou ainda o fornecimento de terras raras brasileiras aos Estados Unidos, essencial para reduzir a dependência americana de minerais em relação à China. “Os Estados Unidos não podem brincar com fogo”, acrescentou.
O desafio para Lula é maior no plano doméstico. O petista enfrentará um Congresso mais à direita do que nos últimos quatro anos. Na Câmara, o bloco de partidos de direita e centro-direita que apoiou Flávio no segundo turno soma 286 deputados federais eleitos para 2027 a 2030. A coligação de esquerda que reelegeu Lula soma 124 deputados — menos de um terço do Plenário. Partidos neutros ou divididos, como MDB e PSD, somam 103 deputados.
Mesmo se Lula atraísse todos os parlamentares de partidos neutros, não alcançaria 50% da Câmara (257 cadeiras). Assim, precisará atrair deputados de partidos como União Brasil, PP, Republicanos e Podemos para garantir governabilidade.
Segundo Murillo de Aragão, cientista político e CEO da Arko Advice, “o custo político de governabilidade será muito alto. Lula entra em uma situação parecida, ou até pior, do que a Dilma [Rousseff, do PT] em seu segundo mandato”.



