Pacote de R$ 298,4 bilhões pressiona juros futuros, alerta colunista

Analista projeta inflação elevada por seis a oito meses e juros abaixo de 10% só em 2029 ou 2030

Pacote de R$ 298,4 bilhões pressiona juros futuros, alerta colunista
Juros futuros caem após recuo no valor do petróleo • Ilustração gerada por IA — Foto: Juros futuros caem após recuo no valor do petróleo  • Ilustração gerada por IA

Benefícios anunciados pelo governo somam R$ 298,4 bilhões em 2026 e podem gerar pressão na taxa básica de juros nos próximos anos

Os benefícios anunciados pelo governo em meio à disputa pela reeleição já somam R$ 298,4 bilhões em 2026 e podem pressionar a taxa básica de juros do país nos próximos anos, segundo análise de Gilvan Bueno. O colunista afirmou que, embora as medidas fossem esperadas, a magnitude do pacote surpreendeu. “Nós não imaginávamos que era nessa ordem de 300 bilhões.”

As renúncias fiscais, subvenções e o aumento do dinheiro em circulação devem elevar o poder de consumo das famílias. De acordo com Bueno, esse efeito terá duração limitada. “Poderão durar de seis meses a oito meses.”

Nesse período, o aumento da demanda tende a pressionar a inflação, o que impediria o Banco Central de reduzir a taxa de juros. “O que nós poderíamos ter é uma pressão nos juros futuros.”

Segundo projeções do Boletim Focus, a expectativa para os juros ao final de 2027 era de cerca de 12%. Com o choque de demanda gerado pelo pacote, essa trajetória pode ser pressionada ainda mais. Para Bueno, os juros abaixo de 10% ao ano só devem ser alcançados entre 2029 e 2030, caso haja um ciclo gradual e racional de queda.

O colunista também chamou atenção para o elevado endividamento das famílias brasileiras, que atinge cerca de 80% delas. Segundo ele, o Brasil historicamente cresce com base no consumo das famílias, mas esse consumo está comprometido pelo endividamento. “Do ponto de vista de sustentabilidade, não tem sustentabilidade.”

Bueno ressaltou que a concentração de renda é um fator estrutural relevante: a cada R$ 1,00 que entra na economia, R$ 0,24 fica nas mãos do 1% mais rico do Brasil. Para ele, apenas medidas de longo prazo, com horizonte de 10 a 20 anos, seriam capazes de promover um ganho real e sustentável de renda para a população.

Do ponto de vista fiscal, Bueno alertou que a dívida pública brasileira acelerou nos últimos quatro anos e que a acomodação de R$ 300 bilhões adicionais no orçamento representa um desafio relevante para a credibilidade do país perante investidores internacionais.

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