Prêmio Nobel da Paz 2025 criticou acordo de petróleo com empresário venezolano e afirmou que retornará ao país

A líder oposicionista María Corina Machado afirmou que os EUA não a incluíram nas negociações entre o governo Maduro e setores da oposição em Caracas.
A líder oposicionista venezuelana María Corina Machado afirmou que os Estados Unidos não a incluíram nas negociações entre a ditadura chavista e outra ala da oposição que estão ocorrendo esta semana em Caracas. A vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 fez a acusação em entrevista concedida no Panamá ao jornal The New York Times, que publicou trechos da conversa na quinta-feira (15).
María Corina também criticou o governo Donald Trump por ter cedido os direitos de um acordo entre os Estados Unidos e o chavismo para a empresa North American Blue Energy Partners (Nabep), controlada pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt. Segundo o acordo, os EUA vão controlar até 65 bilhões de barris de petróleo da Venezuela.
“[Ele é] um dos principais responsáveis pelo que o nosso povo está sofrendo neste momento”, afirmou María Corina sobre Betancourt, acusando o empresário de “corrupção obscena”. Betancourt fez fortuna em contratos de energia durante a ditadura de Hugo Chávez (1999-2013) e já foi investigado por lavagem de dinheiro.
María Corina reconheceu que alguns acordos de petróleo estão sendo firmados, mas ressalvou sua posição. “Quero ser muito clara: se estes contratos e acordos que estão sendo assinados estiverem em conformidade com a legislação venezuelana, eles serão respeitados”, afirmou, caso se torne presidente.
A líder oposicionista afirmou nos últimos meses que foi impedida de voltar à Venezuela desde a captura do ditador Nicolás Maduro pelos EUA em janeiro. Ela foi especulada estar sendo barrada pelo governo Trump. Ao jornal nova-iorquino, uma porta-voz do Departamento de Estado americano informou que o partido de María Corina, o Vente Venezuela, foi convidado a participar das negociações em Caracas.
Sobre o retorno de María Corina ao país sul-americano, a porta-voz do Departamento de Estado disse que “os Estados Unidos não facilitam o retorno de figuras da oposição” e que “María Corina tem todo o direito de entrar em seu país sempre que desejar retornar”. María Corina afirmou ao jornal que retornará “antes do que se espera”.
Desde a captura de Maduro, o governo Trump se aproximou da ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e negou que María Corina assumisse o poder, alegando que ela não tem apoio suficiente dentro do país sul-americano.



