Mercado espera agenda de previsibilidade no governo Lula após eleição

Economista da Polo Capital avalia que volatilidade dos ativos pode ser reduzida com sinalizações sobre nomes para ministérios estratégicos

Mercado espera agenda de previsibilidade no governo Lula após eleição
Mercado analisa políticas econômicas do novo governo. Foto: Divulgação — Arnaldo Lima, economista e líder de RI da Polo Capital. (Foto: Divulgação)

Após resultado das urnas, movimento de reprecificação de ativos mostra que mercado recalcula investimentos com dúvidas sobre controle de gastos públicos

O movimento de reprecificação de ativos após o resultado das urnas neste domingo (25) mostra que o mercado está recalculando a rota dos investimentos, o que inclui maior dúvida sobre a capacidade do governo conter gastos públicos. Economista e líder de Relações com Investidores da Polo Capital, Arnaldo Lima avalia que as oscilações de curto prazo podem ser mitigadas com uma “agenda de previsibilidade” e anúncio de nomes alinhados ao centro político para compor o governo reeleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lima cita o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin no Ministério da Fazenda ou na Casa Civil, e Rodrigo Pacheco, ministro do Tribunal de Contas da União, para o Supremo Tribunal Federal.

“O fato é que, agora, para combater a volatilidade, o que o mercado espera é uma agenda de previsibilidade. Não é a composição de poucas pessoas e em poucas posições estratégicas que determina a política econômica, mas sim a sua viabilidade.”

Segundo o economista, os nomes à frente da Casa Civil e da Articulação são tão importantes quanto os do Ministério da Fazenda, já que 93% do orçamento é de despesa obrigatória, o que coloca urgência em debate amplo sobre reformas.

A urgência por essas sinalizações não reflete apenas ansiedade de especuladores, mas necessidade estrutural de grandes alocadores de recursos. “O mercado financeiro não é simplesmente os gestores da Faria Lima e do Leblon, mas inclui investidores institucionais, como a própria previdência do setor público e previdência complementar”, destaca Lima. Ele reforça que esses agentes “precisam de previsibilidade para fazer frente ao pagamento dos benefícios” atrelados às suas metas atuariais.

O fortalecimento do arcabouço fiscal deve entrar nas prioridades de sinalizações no pós-eleição. “O primeiro passo na direção correta é ter metas factíveis e entregar mais do que a meta estipulada”, diz Lima. “O que o mercado espera e ficaria mais acomodado, seria uma sinalização maior pelo lado da despesa”, observa. Para atingir essa acomodação, Lima avalia que a integração e redefinição de critérios dos programas sociais são essenciais.

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