Pregador americano faleceu aos 86 anos. No ápice, seu ministério arrecadava US$ 129 milhões anuais.

Jim Bakker, central na televisão cristã americana nos anos 1980 e condenado por fraudes, faleceu nesta segunda (5).
O televangelista Jim Bakker faleceu nesta segunda-feira (5), aos 86 anos, de acordo com comunicado de sua segunda esposa, Lori Bakker, divulgado nas redes sociais. A causa da morte e detalhes sobre o óbito não foram revelados.
Bakker ganhou notoriedade no comando do programa “The PTL Club”, onde, ao lado de sua então esposa Tammy Faye, construiu um império financeiro de grandes proporções. Em seu auge, o ministério atraía cerca de 13 milhões de espectadores e arrecadava anualmente cerca de US$ 129 milhões.
A trajetória do pregador foi marcada por escândalos. Em 1987, a revelação de um encontro sexual com a ex-secretária Jessica Hahn gerou crise no ministério. Segundo reportes da época, Bakker autorizou o pagamento de US$ 265 mil em verbas do ministério para garantir o silêncio da mulher. A exposição do caso, somada a denúncias de má gestão, resultou em condenação judicial severa.
Em 1989, um tribunal federal condenou Bakker por 24 acusações de fraude e conspiração. As acusações estavam relacionadas a um esquema de venda de promessas de férias vitalícias que não possuíam lastro real, lesando seguidores em US$ 158 milhões. Durante o julgamento, a acusação descreveu Bakker como um vigarista movido por ganância, desviando milhões de dólares para sustentar um estilo de vida que incluía casas de luxo, carros importados e até uma casinha de cachorro equipada com ar-condicionado.
O juiz Robert Potter sentenciou o televangelista afirmando: “Aqueles de nós que têm uma religião estão cansados de ser feitos de trouxas por pregadores e padres ávidos por dinheiro.”
Bakker cumpriu quatro anos e meio de prisão. Após sua soltura em 1994, tentou se distanciar do chamado “evangelho da prosperidade” que pregava anteriormente, chegando a publicar um livro intitulado “I Was Wrong” (Eu estava errado). Contudo, manteve sua atuação religiosa, retomando programas de televisão em 2003 e posteriormente convertendo-se em apoiador do ex-presidente Donald Trump.
Sua carreira recente também enfrentou controvérsias. Em 2020, o pregador foi alvo de críticas severas de autoridades após promover a venda de um falso tratamento para a Covid-19, reiterando o padrão de conduta que, décadas antes, já havia provocado sua condenação.



