MPE pede bloqueio de candidatura de Rueda por ligação com milícias na Baixada

Ministério Público Eleitoral alega que presidente do União Brasil se beneficiou de estrutura paramilitar em Belford Roxo para mobilizar eleitores

MPE pede bloqueio de candidatura de Rueda por ligação com milícias na Baixada
Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil. Foto: Flickr/Reprodução — Foto: Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil  • Flickr/Reprodução

O MPE pediu ao TRE-RJ o indeferimento da candidatura de Antônio Rueda (União Brasil) para deputado federal acusando ligações com milícias na Baixada Fluminense.

O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro o indeferimento da candidatura de Antônio Rueda (União Brasil) para deputado federal, alegando ligação com milícias na Baixada Fluminense.

Segundo o MPE, Rueda teria se inserido conscientemente em uma estrutura político-territorial que utiliza aparatos de coerção paramilitar para mobilizar eleitores em Belford Roxo. O órgão apontou conexão entre o candidato, o concorrente a deputado estadual Márcio Canella (União Brasil) e operadores ligados ao crime organizado.

Dois homens foram apontados como intermediários na campanha. O primeiro, Luiz Eduardo Santos de Araújo, conhecido como Eduardo Araújo, é policial militar e ex-vereador de Belford Roxo condenado criminalmente a oito anos de reclusão em regime inicial fechado. De acordo com o MPE, ele atua “de forma direta, ostensiva e pública” na promoção eleitoral de Rueda e coordena sua campanha.

O segundo, Fábio Augusto de Oliveira Brasil, chamado de Fabinho Varandão, é vereador de Belford Roxo com registro de candidatura indeferido por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2024. Conforme o MPE, Varandão realiza a estrutura operacional da campanha de Rueda. Ele é acusado de integrar milícia armada, cometer extorsões violentas e ameaças de morte contra comerciantes, além de exercer controle de armas e monopólio de distribuição de internet em bairros da cidade.

O MPE informou que ambos divulgavam “ativamente em suas redes sociais peças de propaganda em prol da ‘dobradinha’ formada por Márcio Canella e Antônio Rueda”. As legendas dos posts os chamavam de “meus” e “nossos deputados”.

Segundo o MPE, “a vinculação material de Antônio Rueda a aparatos de coerção paramilitar em Belford Roxo materializa-se diretamente pela atuação ativa de Luiz Eduardo Santos de Araújo”.

O órgão alegou ainda que Rueda se beneficiou “da capacidade de mobilização desses líderes paramilitares perante o eleitorado local” ao formar uma aliança político-eleitoral e compor uma “dobradinha” de campanha com Canella.

O TRE-RJ é a instância responsável por julgar registros de candidatura no estado do Rio de Janeiro. A decisão da corte eleitoral determinará se o registro será mantido ou cancelado conforme pedido do MPE.

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