Alívio no presente não gera segurança financeira; preço de alimentos e contas básicas continuam pressionando orçamentos

Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg revela que maioria das famílias não consegue formar reservas ou planejar futuro, apesar de melhora entre abril e setembro
Quase dois terços das famílias brasileiras chegam ao fim do mês sem conseguir guardar dinheiro, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg. Para 34%, faltam recursos para cobrir todas as despesas. Outros 30% conseguem pagar as contas, mas terminam o mês sem nenhuma sobra.
A maioria das famílias não dispõe de margem para formar uma reserva, enfrentar imprevistos ou planejar projetos de médio e longo prazos. A família consegue administrar as despesas do presente, mas permanece vulnerável a qualquer gasto inesperado.
Os dados mostram evolução positiva entre abril e setembro. A parcela que conseguiu guardar dinheiro subiu de 31,5% para 36%. Ao mesmo tempo, o grupo que terminou o mês com falta de recursos caiu de 40,2% para 34%. Houve melhora, mas ela ainda não foi suficiente para produzir uma sensação disseminada de segurança ou prosperidade.
O preço dos alimentos permanece como principal fator de pressão sobre as finanças familiares, citado por 44,2% dos entrevistados — praticamente o mesmo percentual registrado em abril, de 43,6%. Também aumentou o peso das contas básicas: a parcela que aponta essas despesas como uma das principais dificuldades subiu de 26,7% para 32,1%.
São gastos essenciais, recorrentes e difíceis de reduzir. Mesmo quando a inflação desacelera, o nível acumulado dos preços permanece elevado. Inflação menor significa que os preços sobem mais devagar, e não que retornaram aos patamares anteriores.
Em contrapartida, caiu de 33,5% para 25% a parcela que cita dívidas e juros como principal problema. O dado pode indicar algum alívio no endividamento, mas não significa necessariamente maior conforto financeiro.



