Levantamento AtlasIntel/Bloomberg aponta que 52,3% dos eleitores acreditam que presidente é mais afetado pelo escândalo

Levantamento divulgado nesta quarta-feira revela que a crise do STF impacta mais negativamente a campanha de reeleição de Lula
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23) aponta que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal impacta de forma mais negativa a campanha de Lula (PT-SP) do que a de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo o analista Rafael Cortez, em entrevista ao programa Hora H, o governo é prejudicado apesar de o escândalo do Master estar mais associado a Flávio. “A agenda que vem do Supremo Tribunal Federal é negativa para a campanha de reeleição. A gente pode até discutir a intensidade desse efeito negativo, mas é um tema que dificulta que o governo melhore sua imagem ao longo da campanha eleitoral”, afirmou Cortez.
O levantamento mostra que 52,3% dos eleitores acreditam que a crise no STF prejudica mais Lula, enquanto 20,7% consideram que o maior prejudicado é Flávio. Outros 15,5% avaliam que os dois são igualmente afetados, 7,5% entendem que nenhum dos dois é prejudicado e quase 4% não souberam responder.
No que diz respeito ao escândalo do Master, a pesquisa aponta cenário de empate técnico. De acordo com o levantamento, 43,8% dos eleitores atribuem o envolvimento no esquema aos aliados de Bolsonaro, enquanto 43,4% apontam os aliados de Lula. Outros 10,6% responsabilizam todos os lados, 1,5% indicam o Centrão e 0,6% não souberam responder.
“Mesmo que a pesquisa mostre algum equilíbrio na ideia de quem estaria por trás do caso Master, ainda assim não me parece que seja um tema que ajude a campanha de reeleição”, destacou Cortez.
O analista explicou que, tradicionalmente nas democracias, o governo parte com vantagem na disputa pela reeleição por ter uma mensagem mais forte. Contudo, a crise do STF impediu que a opinião pública se concentrasse em assuntos mais favoráveis à campanha de reeleição.
Nesse contexto, o Palácio do Planalto reajustou o Bolsa Família não apenas pelo efeito concreto da política, mas também para tentar trazer uma agenda mais favorável à campanha.
Sobre a possibilidade de o STF adiar ao máximo suas sessões, incluindo o caso de Alexandre de Moraes, que pode ficar para o ano que vem, Cortez avaliou que a postergação tenderia a reduzir o efeito negativo para o governo, à medida que outros temas passem a dominar o debate público. No entanto, o analista alertou que, do ponto de vista institucional, o cenário ainda é muito complicado.



