Renan Calheiros, Gleisi Hoffmann e outros caciques não conseguem se reeleger ao Senado em 2026

Cientista político analisa derrota de caciques do MDB e PT e ascensão de parlamentares conectados às redes sociais nas eleições de 2026
Os políticos tradicionais mais sofreram nas eleições realizadas no domingo (4), segundo análise do cientista político Renato Dolci. Nomes como Renan Calheiros (MDB-AL), Ciro Nogueira (PP-PI), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Benedita da Silva (PT-RJ), Esperidião Amin (PP-SC) e Randolfe Rodrigues (PT-AP) não conseguiram se reeleger ao Senado. José Dirceu (PT-SP) e Jorge Viana (PT-AC) tentaram retornar à atividade parlamentar e também fracassaram nas urnas.
Renato Dolci dividiu o eleitorado e os candidatos em três blocos que explicam o novo cenário eleitoral. “Esse bloco é o que mais sofreu”, afirmou Dolci, referindo-se aos políticos tradicionais que não conseguiram se reeleger ou retornar à política.
O segundo grupo identificado por Dolci é o dos chamados “políticos influenciadores”, cujos candidatos “estouraram as votações”. Entre os exemplos citados estão Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Eduarda Campopiano (PL-SP). Para o analista, esses candidatos entenderam um novo formato que atrai o eleitor.
“É uma mobilização contínua da política, é um contato contínuo com esses perfis, é uma comunidade política organizada em torno de canais contínuos de comunicação”, explicou Renato Dolci sobre o fenômeno dos novos parlamentares bem-sucedidos.
Os novos parlamentares que venceram nas urnas apresentam conexão intensa com seus canais digitais e comunidades ideológicas. “A gente percebe uma conexão muito grande desses novos perfis de parlamentares muito ligados aos seus canais digitais, de alguma forma também muito conectados com as suas comunidades ideológicas e políticas, falando com elas, trocando com elas, e parece que esse modelo deu muito certo”, avaliou Dolci.
O terceiro bloco identificado pelo analista inclui celebridades que possuem grande número de seguidores nas redes sociais, mas não constroem comunidades políticas organizadas. Segundo Dolci, ter audiência digital não é suficiente se ela não estiver centralizada em questões políticas. Esse cenário explica tanto a queda dos perfis tradicionais quanto o sucesso dos políticos influenciadores nas eleições de 2026.



