Manifestações iniciadas em Paris em 17 de setembro se expandem para Espanha, Bélgica e Itália com demandas por habitação e reformas educacionais

Onda de protestos se espalha pela Europa refletindo descontentamento com alto custo de vida, queda de qualidade em serviços públicos e aumento de gastos com defesa
Uma onda de protestos se espalha pela Europa pressionando governos a enfrentar desafios sociais e econômicos. As manifestações refletem descontentamento com o alto custo de vida, a queda da qualidade dos serviços públicos, o aumento dos gastos com defesa e a percepção de jovens de que terão vida pior que gerações anteriores.
Na França, os protestos começaram em 17 de setembro na região de Paris contra falta de professores, superlotação de salas de aula, deterioração de prédios escolares e dificuldades de acesso ao ensino superior. Sindicatos e trabalhadores aderiram ao movimento, incorporando reivindicações salariais, críticas à inflação e oposição a cortes orçamentários.
O governo francês prepara um ajuste de aproximadamente 54 bilhões de euros para 2027, combinando cortes de despesas e medidas tributárias. A medida alimenta a percepção de que os serviços públicos estão sendo sacrificados para equilibrar as contas do Estado e investir em defesa.
Na Espanha, o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, de seu apartamento em Madri, onde morava há mais de sete décadas, transformou-se em símbolo da crise habitacional. O aluguel do imóvel aumentou 275%, passando de 440 euros para 1.650 euros mensais. Maricarmen morreu em 7 de outubro, duas semanas após o despejo.
Os manifestantes espanhóis exigem controle dos preços de aluguéis, proteção contra despejos e ampliação da oferta de habitação acessível. O primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez apresentou medidas emergenciais para enfrentar a crise habitacional, mas elas foram rejeitadas no Parlamento. Em resposta, convocou eleições antecipadas para 29 de novembro de 2026.
Na Bélgica, especialmente em Bruxelas e Liège, estudantes protestam contra o aumento dos custos educacionais e reformas que dificultam o ingresso e permanência no ensino superior. O movimento incorporou críticas ao custo de vida, com confrontos entre manifestantes e polícia, que empregou gás lacrimogêneo e canhões de água.
O principal elemento de conexão entre os protestos é a percepção de que governos reduzem oportunidades educacionais justamente quando jovens precisam de maior qualificação para enfrentar um mercado de trabalho competitivo à sombra da inteligência artificial. Na Itália, manifestações ocorrem em Roma, Milão, Florença, Bolonha, Gênova e Turim.



