Partido comandado por Kassab dobra governadores eleitos, mas perde espaço legislativo e fica neutro no segundo turno presidencial

O PSD elegeu 43 deputados federais e quatro governadores no primeiro turno, mas perdeu força no Senado e ficou neutro no segundo turno presidencial.
O PSD chega ao fim das eleições 2026 com resultados que expõem os limites do projeto nacional de seu presidente, Gilberto Kassab. O partido dobrou o número de governadores eleitos no primeiro turno em relação a 2022, passando de dois para quatro, mas sofreu revezes em áreas estratégicas, ficando com menos da metade das cadeiras que ocupava no Senado e perdendo espaço na Câmara dos Deputados.
Na disputa presidencial, o PSD teve desempenho inexpressivo. A legenda também perdeu eleições em estados de peso como Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O resultado coloca em questão a capacidade de converter a presença regional em influência política para negociação com o vencedor do segundo turno.
Na Câmara dos Deputados, o PSD elegeu 43 deputados, contra 42 em 2022, apesar de ter recebido 13% mais votos para deputado federal, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a filiação de novos parlamentares na última janela partidária, a sigla chegou a 48 deputados federais.
Kassab repetiu nos últimos anos que o PSD é um partido de centro-direita, contudo, a legenda esteve ao lado do PT em coligações de dez estados. Entre elas, as que reelegeram Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia, Elmano de Freitas (PT) no Ceará e Rafael Fonteles (PT) no Piauí. A estratégia da sigla inclui apoios à direita e à esquerda, dependendo do contexto estadual.
“Numa eleição polarizada, quem não tem marca nacional não transfere voto para os candidatos regionais, que acabam disputando sob a bandeira de quem polariza”, disse Lucas Fernandes, coordenador de análise política federal na BMJ Consultoria. “Ainda existe espaço para uma legenda de centro que negocie com os dois lados, mas ele depende de bancada e de governos estaduais, e o PSD sai da eleição menor do que entrou”, acrescentou.
No segundo turno presidencial, marcado para o próximo domingo (25), o PSD decidiu ficar neutro e liberou os diretórios estaduais para tomar suas próprias decisões. Segundo Fernandes, a neutralidade preserva a possibilidade de negociar com qualquer um dos dois candidatos, mas em condições diferentes.
Quando procurado, o PSD afirmou que “segue sua trajetória de crescimento e já se consolida como a principal legenda de centro do país”.



